Apenas 48% das empresas percebem compromisso com equidade

Pesquisa da Catho mostra que presença feminina em cargos altos cresce, mas percepção de mudança cultural ainda é limitada entre trabalhadoras

Por GIOVANNA ALVES
3 Min

Apenas 48% das empresas percebem compromisso com equidade
Banco de imagem/Freepik

A presença de mulheres em cargos de liderança nas empresas brasileiras vem aumentando, mas a percepção de compromisso com a equidade de gênero ainda está longe de ser consenso. É o que revela a nova pesquisa da Catho, plataforma gratuita de empregos, sobre mulheres e mercado de trabalho. 

Segundo o levantamento, 68% das profissionais afirmam que há mulheres em posições de liderança nas empresas onde trabalham. No entanto, apenas 48% acreditam que essas lideranças estão de fato comprometidas com a promoção da equidade de gênero. 

Os dados mostram que a representatividade feminina no topo das organizações começa a avançar, mas isso não significa, necessariamente, que a cultura corporativa esteja acompanhando essa mudança. Quase um terço das entrevistadas (29%) afirma explicitamente que as lideranças de suas empresas não demonstram compromisso com o tema, enquanto outras 22% dizem não conseguir identificar esse engajamento na prática. 

De acordo com Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, a diferença entre presença e transformação cultural é um dos principais desafios da agenda de diversidade no mundo corporativo. Para ela, ter mais mulheres ocupando cargos de decisão é um passo importante, mas não garante, que políticas e práticas voltadas à equidade de gênero sejam implementadas de forma consistente nas organizações. 

"Nos últimos anos, houve avanços importantes na representatividade feminina em posições de liderança e isso é fundamental para ampliar perspectivas dentro das empresas. Mas os dados mostram que ainda existe uma distância entre a presença de mulheres nestes cargos a construção de uma cultura corporativa verdadeiramente comprometida com a equidade", afirma Suzuki. 

Segundo a especialista, a mudança cultural depende de ações estruturais e não apenas da composição da liderança. A presença feminina em cargos estratégicos abre portas e amplia o debate, mas a transformação real acontece quando esse tema passa a fazer parte da estratégia da empresa, com metas, políticas e práticas que garantam igualdade de oportunidades para todas as profissionais.

"Organizações que promovem ambientes mais inclusivos tendem a reter talentos, estimular a inovação e construir equipes mais fortes e representativas da sociedade. No longo prazo, isso também se reflete em ambientes de trabalho mais saudáveis e em melhores resultados para as empresas", conclui Patricia Suzuki. 


 

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GIOVANNA REBELO ALVES
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