Especialista orienta que parentalidade ativa e licença-paternidade ampliada são caminhos para ambientes corporativos mais equilibrados

Lorranny Sousa, que atua na área de Recursos Humanos e liderança de projetos na Acelere, defende a corresponsabilidade no cuidado com os filhos como estratégia para bem-estar e produtividade nas empresas

Por KASANE COMUNICAÇÃO
4 Min

Especialista orienta que parentalidade ativa e licença-paternidade ampliada são caminhos para ambientes
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A conexão entre a vida pessoal e profissional nunca foi tão evidente. Para as empresas, entender esse cenário e apoiar seus colaboradores nas diferentes nuances do dia a dia é uma estratégia de valor. A parentalidade ativa tem ganhado destaque nas discussões sobre gestão de pessoas, tanto pelo impacto direto no bem-estar dos profissionais, quanto pelos benefícios organizacionais que promove.
A especialista em Recursos Humanos e liderança de projetos da Acelere, Lorranny Sousa, afirmou que colaboradores bem cuidados cuidam melhor do trabalho. “O incentivo à parentalidade ativa fortalece vínculos familiares e reflete em profissionais mais engajados, consistentes e emocionalmente disponíveis. Isso melhora o clima organizacional, reduz a rotatividade e aumenta a produtividade”.
De acordo com Lorrany, as organizações têm papel importante ao promover o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para isso, são necessárias lideranças preparadas, capazes de acompanhar o bem-estar emocional das equipes e oferecer suporte efetivo. “É uma ação que vai além dos benefícios, incentivando uma mudança cultural que exige empatia, escuta ativa e práticas que incentivem a corresponsabilidade. Nesse contexto, a ampliação da licença-paternidade surge como uma medida essencial para fortalecer esse equilíbrio. Ao permitir que os pais participem mais ativamente dos cuidados iniciais, a medida contribui diretamente para ambientes corporativos mais justos e acolhedores”, pontuou.

Licença-paternidade: tempo atual é insuficiente
A licença-paternidade atual no Brasil é de apenas cinco dias, o que ainda é considerado insuficiente para um envolvimento real dos pais nos cuidados com os filhos logo após o nascimento. “O nascimento de uma criança transforma completamente a rotina familiar. É um período de adaptação, de criação de vínculos e de muitas necessidades práticas e emocionais. Cinco dias são incompatíveis com tudo isso”, avaliou Lorranny.
Alguns projetos de lei em tramitação propõem ampliar esse período para 30, 60 ou até 75 dias, como no caso do PL 3.773/2023, mudança que pode impulsionar uma nova cultura dentro das empresas.
Levantamento realizado pela pesquisadora do FGV IBRE – Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Janaína Feijó, aponta que a diferença entre o tempo de licença-maternidade e paternidade impacta diretamente a trajetória profissional das mulheres: apenas 23% das posições de maior rendimento, contra 33% dos pais. A disparidade salarial também é expressiva: pais ganham até 36% a mais em determinadas ocupações.
Para Lorranny, apesar dos avanços, ainda há uma expectativa enraizada de que a mulher seja a principal cuidadora da família. “A presença dos pais em consultas médicas ou eventos escolares ainda causa surpresa em muitos ambientes de trabalho. Estamos caminhando, mas precisamos acelerar. A sociedade não quer que as mães deixem de cuidar, mas que os pais também se responsabilizem de forma ativa. Isso é corresponsabilidade”, defendeu.
Viabilidade e desafios para as empresas
Projetos de lei que ampliam o período de licença-paternidade têm gerado debates sobre a viabilidade da medida, especialmente entre pequenas empresas. No entanto, segundo Lorranny, os benefícios superam os desafios.
“É claro que existem questões estruturais, como o impacto financeiro para a Previdência e o desafio de adaptação para pequenos negócios. Mas estudos mostram que licenças mais longas não prejudicam a carreira dos pais e ainda contribuem para ambientes corporativos mais saudáveis e produtivos. A equidade de gênero, a saúde emocional e a corresponsabilidade são pilares de um ambiente de trabalho sustentável e de alto desempenho”, conclui.

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CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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