Por que o inverno é uma das épocas mais perigosas para quem abandona o protetor solar

Sensação de menor exposição ao sol faz muitos brasileiros relaxarem na proteção da pele, enquanto os danos continuam se acumulando

Por JOãO PEDRO
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Por que o inverno é uma das épocas mais perigosas para quem abandona o protetor solar
Divulgação
A chegada do inverno costuma fazer muita gente guardar o protetor solar na gaveta. A queda da temperatura, o céu encoberto e a menor sensação de calor criam a impressão de que a pele está protegida. Mas essa percepção não corresponde ao que acontece na prática. Mesmo nos dias frios e nublados, a radiação ultravioleta continua atingindo a pele e acumulando danos que favorecem o envelhecimento precoce e aumentam o risco de câncer de pele.

Os hábitos da população refletem esse equívoco. Pesquisa realizada pelo Instituto de Cosmetologia de Campinas (SP) divulgada em 2026 mostrou que 66% dos brasileiros não usam protetor solar diariamente e 22,2% deixam de aplicar o produto quando o dia está nublado. Outro levantamento encontrou resultado semelhante: 65,5% afirmaram não utilizar filtro solar todos os dias, reforçando que a fotoproteção ainda é encarada como um cuidado restrito ao verão.


Segundo o professor de Dermatologia Estética na Afya Educação Médica Rio de Janeiro, Leonardo Mello, o principal problema é que a radiação mais associada ao envelhecimento da pele permanece presente independentemente da temperatura.

"O frio diminui a sensação de exposição ao sol, mas não reduz a incidência dos raios UVA. Essa radiação atravessa nuvens e vidros, penetra profundamente na pele e provoca alterações que se acumulam ao longo da vida. É justamente por não causar queimaduras imediatas que muitas pessoas subestimam seus efeitos", explica.

Diferentemente dos raios UVB, responsáveis pelas queimaduras solares mais comuns no verão, a radiação UVA mantém intensidade relativamente constante durante todo o ano. Ela está presente mesmo em dias chuvosos, durante deslocamentos urbanos, no interior de veículos e em ambientes iluminados por luz natural, favorecendo alterações no colágeno, manchas, perda de elasticidade e processos relacionados ao desenvolvimento do câncer de pele.

O comportamento da população preocupa porque o câncer de pele continua sendo o tipo mais frequente no país. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano entre 2026 e 2028, dentro de uma projeção de aproximadamente 781 mil novos casos anuais de câncer no Brasil durante o período.

Além da radiação solar, o inverno traz outro fator que aumenta a vulnerabilidade da pele. A combinação entre baixa umidade do ar, banhos mais quentes e redução da hidratação favorece o ressecamento da barreira cutânea, tornando a pele mais sensível às agressões ambientais.

"Nessa época do ano, muitas pessoas percebem apenas o ressecamento e passam a investir somente em hidratantes. A hidratação é importante, mas não substitui a fotoproteção. O ideal é associar os dois cuidados, porque uma pele com a barreira comprometida também sofre mais com os efeitos cumulativos da radiação ultravioleta", afirma Leonardo Mello.

Outro equívoco frequente é acreditar que o protetor solar só deve ser reaplicado em situações de lazer ao ar livre. Para quem permanece boa parte do dia em ambientes internos próximos a janelas ou realiza deslocamentos cotidianos, a exposição à radiação UVA continua acontecendo de forma contínua.

A recomendação dos dermatologistas é manter o uso diário de protetor solar com FPS mínimo de 30, reaplicando o produto ao longo do dia quando houver exposição prolongada ao sol. Nos meses mais frios, fórmulas em creme costumam oferecer melhor conforto para peles ressecadas, enquanto a hidratação adequada e a preferência por banhos mornos ajudam a preservar a barreira cutânea.

Para o professor da Afya, incorporar o protetor solar à rotina diária é uma medida de prevenção de longo prazo.
"O maior dano provocado pela radiação solar é silencioso. Ele acontece aos poucos, durante anos, até aparecer na forma de manchas, rugas, perda de firmeza ou mesmo câncer de pele. Por isso, a proteção precisa fazer parte da rotina em todas as estações, e não apenas quando o calor ou a praia lembram que existe sol."

 

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JOãO PEDRO URBANO DOS SANTOS
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