O mês dos namorados sempre chega com aquela enxurrada de bombons, flores e declarações apaixonadas nas redes sociais. Mas longe do romantismo comercial, existe um tema que define o futuro real de qualquer casal e que a gente quase não vê nos cartões de presente: o dinheiro. Ao contrário do que o senso comum ainda insiste em sugerir, quando uma mulher conquista sua independência financeira, o relacionamento não balança. Na verdade, ele ganha uma base muito mais sólida, trocando aquela velha sensação de dependência por uma parceria de verdade.
Quem vê de perto essa realidade é Lorrane Deocleciano, idealizadora do Projeto AMI, que nasceu com a missão de capacitar mulheres de baixa renda. Para ela, a segurança financeira feminina não afasta os parceiros, mas abre espaço para uma cumplicidade saudável. Quando o orçamento aperta ou quando apenas um lado dita as regras do jogo, a convivência desgasta. É aí que a autonomia entra, não como uma disputa de poder, mas como um fôlego novo para que os dois consigam planejar a vida juntos, com o mesmo peso nas decisões.
"A verdadeira parceria só existe quando duas pessoas se unem por afinidade, e não por obrigação ou falta de alternativas. Quando uma mulher conquista sua estabilidade, ela deixa de aceitar migalhas emocionais por medo de não ter como se sustentar. O amor floresce na liberdade, e a carteira assinada ou o próprio negócio são ferramentas de libertação que tornam os relacionamentos muito mais maduros e resistentes às crises do cotidiano", pontua a fundadora da iniciativa.
Olhando para o dia a dia das mulheres atendidas pelo projeto, fica claro que a falta de recursos próprios é o principal nó que amarra muitas delas a situações de vulnerabilidade ou a casamentos que já acabaram faz tempo. Mesmo nas relações onde há carinho, a dependência gera um silêncio desconfortável e uma perda de identidade. O caminho para mudar essa história passa por dar ferramentas práticas: qualificação, conversas sobre finanças e o entendimento de que toda mulher é capaz de gerar a própria renda.
O empreendedorismo e o emprego formal acabam sendo as grandes chaves de virada. Quando elas assumem as rédeas do próprio bolso, a dinâmica dentro de casa muda da água para o vinho. Dividir as despesas do lar tira aquele peso histórico das costas dos homens e equilibra a balança. Claro que essa transição exige conversa e, principalmente, desapego de algumas ideias antigas sobre quem deve ou não sustentar a casa, algo que já não faz sentido hoje em dia.
"O que destrói uma relação não é o sucesso financeiro da mulher, mas o machismo que não suporta ver essa evolução. Os casais que compreendem a independência feminina como um ganho mútuo prosperam muito mais rápido. Dividir as contas e somar as conquistas é o segredo para que o amor seja leve e, acima de tudo, uma escolha diária baseada no respeito e na admiração", finaliza a gestora.
Fonte: Lorrane Deocleciano - Idealizadora do Projeto AMI (apoio a mulheres de baixa renda) - Diretora ABV Proteção Patrimonial Mutualista
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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