O avanço das recentes resoluções do Banco Central impõe um novo ritmo ao mercado de fintechs no Brasil e reacende um debate relevante: o país caminha para uma redução no número de empresas do setor? Com exigências mais rigorosas de capital, governança e gestão de riscos, o regulador sinaliza uma mudança de fase, que sai da expansão acelerada para um momento de maior consolidação.
Na avaliação de Victor Papi, General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers que atua como instituição de pagamentos (IP) para o mercado corporativo, o impacto tende a ser mais qualitativo do que quantitativo, ainda que uma diminuição no número de players não esteja descartada. “O que o Banco Central faz agora é separar modelos sustentáveis de operações que cresceram sem a mesma disciplina regulatória. Isso pode reduzir o número de fintechs ativas, mas principalmente eleva o padrão do setor como um todo”, afirma.
As novas regras aumentam o custo de conformidade e exigem estruturas mais robustas, o que pressiona especialmente fintechs de menor porte ou com margens mais estreitas. Ao mesmo tempo, a regulação aproxima essas empresas das exigências já aplicadas a instituições financeiras tradicionais, reduzindo assimetrias e incentivando maior competição em bases mais equilibradas. Na prática, o movimento tende a favorecer operações mais capitalizadas e com maior capacidade de investimento em tecnologia e controles internos.
“Existe um efeito direto sobre o custo de operação. Nem todas as fintechs vão conseguir absorver esse aumento sem revisar seu modelo de negócio. Por isso, é natural esperar mais fusões, aquisições e até saídas do mercado nos próximos ciclos”, diz Papi.
Outro ponto central está na liquidação dessas instituições. O Banco Central tem reforçado mecanismos para garantir que eventuais encerramentos ocorram de forma ordenada, com menor risco sistêmico e maior proteção aos usuários. Esse avanço reduz incertezas e aproxima o setor de práticas já consolidadas em mercados mais maduros.
“A regulação não freia a inovação, mas exige responsabilidade proporcional ao impacto dessas empresas no sistema financeiro. O resultado tende a ser um mercado menos pulverizado, porém mais resiliente e confiável. Para o consumidor e para investidores, isso representa um ganho claro de previsibilidade”, finaliza o executivo.
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MAYTE LUCHTEMBERG LOPES
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