Um novo estudo publicado nesta terça-feira (23/06) pelo Instituto de Clima e Sociedade (iCS) e pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx) da London School of Economics and Political Science destaca os grandes benefícios financeiros da transição verde para o Brasil.
O relatório Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition argumenta que “o país possui uma combinação de ativos que poucas economias conseguem igualar: energia renovável abundante, reservas significativas de minerais essenciais, a maior capacidade agrícola do mundo e biodiversidade excepcional”.
A análise foi apresentada durante um evento na London Climate Action Week, que reuniu formuladores de políticas, investidores, pesquisadores e representantes do Brasil e da comunidade internacional.
“O Brasil está bem posicionado para atrair parte dos US$ 600–800 bilhões investidos anualmente em setores de alto consumo de energia, como combustíveis limpos, indústria de baixo carbono, minerais essenciais e agricultura sustentável, áreas nas quais o país detém importantes vantagens competitivas”, afirmam os autores no documento.
Ao mesmo tempo, o texto enfatiza que o sucesso está longe de ser garantido. “Para concretizar essas oportunidades, será necessário resolver gargalos de infraestrutura, reduzir riscos de investimento, fortalecer a capacidade de implementação, melhorar a segurança jurídica e dar continuidade aos esforços para combater o desmatamento ilegal”, advertem os pesquisadores.
Professor visitante do CETEx e principal autor do estudo, Luiz Awazu Pereira da Silva afirmou que “as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento”. “A questão é se o Brasil conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento da produtividade e desenvolvimento econômico”, disse.
Segundo a diretora executiva do iCS, Maria Netto, o Brasil pode oferecer segurança ao mundo em três áreas-chave: energia limpa, em escala e com previsibilidade, e biocombustíveis sustentáveis para o transporte global; minerais críticos extraídos com responsabilidade social e ambiental; e segurança alimentar inovadora.
“Essas soluções apresentadas no estudo garantem resiliência nas cadeias de produção, estabilidade de preços e a mitigação dos riscos de conflitos associados aos recursos naturais”, disse Maria Netto. “Por outro lado, internamente, o Brasil tem a oportunidade de combinar a descarbonização com a reindustrialização, atraindo investimentos e promovendo o fortalecimento social”, acrescentou.
Professor de economia da Universidade de Brasília, membro sênior do iCS e um dos autores do relatório, Jorge Arbache afirmou que “o mundo está saindo de uma era em que a energia era transportada para a indústria para uma em que a indústria buscará cada vez mais a energia limpa. Essa mudança pode redefinir as cadeias globais de valor nas próximas décadas”, completou.
Para a pesquisadora sênior responsável pela mobilização de capital privado no CETEx, Fernanda Gimenes, com muita frequência, as discussões sobre a transição ecológica se concentram nas lacunas de financiamento. “Esse estudo defende que, para países como o Brasil, a transição também deve ser entendida como uma oportunidade de investimento. O desafio é criar as condições que permitam que o capital nacional e internacional invista em grande escala nos setores que moldarão a economia global do futuro”, afirmou.
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GUSTAVO COSME MOURÃO PINHEIRO
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