A nova ambição dos executivos: crescer sem abrir mão da saúde

Cada vez mais profissionais de alta liderança buscam redefinir sucesso profissional, equilibrando performance, propósito e qualidade de vida.

Por Bendita Letra
4 Min

A nova ambição dos executivos: crescer sem abrir mão da saúde
Renata Livramento — Psicóloga | Doutora em Administração | Especialista em Gestão de Saúde Corporativa.
 

Por muito tempo, a imagem do executivo de sucesso esteve associada a jornadas exaustivas, disponibilidade permanente e uma rotina que deixava pouco espaço para o descanso ou para a vida pessoal. Hoje, no entanto, esse conceito começa a mudar. Em vez de escolher entre crescer na carreira ou preservar a saúde, líderes têm buscado conciliar alta performance com bem-estar físico e mental.

A transformação acompanha um cenário preocupante. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o burnout passou a ser reconhecido como um fenômeno ocupacional e que o estresse crônico relacionado ao trabalho está entre os principais fatores de adoecimento da população economicamente ativa. No Brasil, pesquisas recentes também mostram o aumento dos afastamentos por transtornos mentais, especialmente entre profissionais que ocupam cargos de liderança e alta responsabilidade.

Para a psicóloga, doutora em Administração e especialista em Gestão de Saúde Corporativa Renata Livramento, essa mudança de mentalidade representa uma evolução na forma de compreender o sucesso profissional. “Os executivos perceberam que resultados sustentáveis não são construídos às custas da própria saúde. O desempenho depende diretamente da capacidade de manter energia, clareza mental e equilíbrio emocional ao longo do tempo”, explica.

Segundo a especialista, o conceito de produtividade também está sendo ressignificado. Trabalhar mais horas deixou de ser sinônimo de eficiência, enquanto práticas como pausas estratégicas, atividade física, sono de qualidade e gestão do estresse passaram a ser vistas como investimentos na performance.

Outro fator que impulsiona essa transformação é a busca por propósito. Cada vez mais profissionais questionam se o crescimento financeiro compensa o desgaste emocional provocado por ambientes tóxicos ou jornadas incompatíveis com uma vida saudável. “Existe uma geração de líderes que deseja alcançar resultados sem abrir mão da convivência familiar, do autocuidado e da saúde mental. Essa não é uma visão de menor ambição, mas de uma ambição mais inteligente”, afirma Renata.

As empresas também começam a perceber os benefícios dessa mudança. Organizações que investem em programas de bem-estar, flexibilidade, desenvolvimento humano e saúde corporativa tendem a apresentar menores índices de absenteísmo, maior retenção de talentos e equipes mais engajadas.

Para a especialista, um dos maiores desafios é romper a cultura de que o sofrimento faz parte do sucesso. “Muitos profissionais ainda acreditam que precisam estar permanentemente cansados para provar comprometimento. Na prática, o excesso de desgaste reduz a capacidade de tomada de decisão, aumenta erros e compromete a inovação.”

Nesse contexto, cresce a importância de líderes que dão o exemplo e incentivam uma cultura organizacional mais saudável, mostrando que é possível entregar resultados sem negligenciar a própria qualidade de vida.

“O verdadeiro sucesso não está apenas na posição que se ocupa ou no salário que se recebe, mas na capacidade de construir uma carreira que também permita viver com saúde, propósito e equilíbrio. Crescer profissionalmente não precisa significar adoecer no caminho”, conclui Renata Livramento.

Saiba mais sobre o trabalho da Renata Livramento: renatalivramento.com.br | @renata.livramento

Fonte: Renata Livramento — Psicóloga | Doutora em Administração | Especialista em Gestão de Saúde Corporativa.


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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