O mundo se torna insustentável num ritmo alucinante. Não há progresso na redução de uso de combustíveis fósseis, nem de desmatamento. Os gases causadores do efeito estufa estão tornando a Terra um lugar inóspito e inviável para uma vida sadia. Embora o problema seja extremamente complexo, a verdade é que todos podemos fazer alguma coisa para nos adaptar a esses novos desafiadores e complicados tempos. Atitudes aparentemente simples fazem a diferença. Usar e desperdiçar menos água. A escassez hídrica é fenômeno detectável e as altas temperaturas só agravam o problema, assim como as chuvas recentes são sempre abaixo da média histórica. Outro grande tema é a excessiva produção de resíduos sólidos, nome que ora emprestamos ao conhecido lixo, porque tudo o que desperdiçamos tem valor econômico. Basta seguir a regra da economia circular e observar a lei da logística reversa, para que um transtorno se transforme em benefício. São Paulo tem coleta seletiva em todas as suas ruas. Mas é preciso separar o resíduo orgânico, aquele que apodrece e que pode ser convertido em compostagem, fertilizante ou gás natural não fóssil, o biometano, do resíduo seco, destinado à reciclagem. Andar mais a pé, ou de bicicleta, ou preferir transporte coletivo em vez de inundar as ruas de carros e causar enervantes congestionamentos é outra atitude ao alcance de qualquer pessoa. Todos temos de nos preocupar com a sustentabilidade, pois é uma questão de sobrevivência da nossa geração e daquelas que vierem a nos substituir. A insustentabilidade apressa o final dos tempos. Ao contrário, a sustentabilidade, levada a sério por todas as pessoas, tornará o mundo mais saudável e, portanto, mais feliz. Façamos a nossa parte. Não esperemos que a solução venha de cima. Somos nós os maiores interessados e, de acordo com a Constituição do Brasil, todo o poder emana do povo. Exerçamo-lo de forma responsável e consciente.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
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