Fórum Ambição 2030 destaca protagonismo empresarial na reta final para atingir objetivos de Agenda 2030
Maior evento de sustentabilidade corporativa do país reuniu lideranças empresariais, especialistas, representantes do Sistema ONU e instituições financeiras para debater soluções que acelerem a implementação dos ODS
PorJACKSON VIAPIANA/ MáQUINA•
9 Min
Divulgação Pacto Global da ONU - Rede Brasil
A implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a competitividade dos negócios, a transição para uma economia de baixo carbono e o papel estratégico do setor privado na construção de um futuro mais justo e inclusivo estiveram no centro dos debates do Fórum Ambição 2030, maior evento de sustentabilidade corporativa do país, promovido pelo Pacto Global da ONU - Rede Brasil, no início de junho, no Museu de Arte de São Paulo (MASP).
O encontro reuniu, entre as mais de 450 pessoas presentes, lideranças empresariais, representantes do Sistema ONU, instituições financeiras, especialistas e organizações da sociedade civil para discutir caminhos concretos para acelerar a Agenda 2030 das Nações Unidas em um momento considerado decisivo para o alcance das metas globais.
Em sua quarta edição, o evento reforçou a urgência da implementação dos ODS e o papel das empresas como protagonistas dessa transformação com foco sustentável. Ao longo da manhã, os debates destacaram o tema deixou de ser uma agenda paralela para se consolidar como estratégia de negócio, capaz de impulsionar competitividade, inovação, acesso a capital e geração de valor compartilhado.
“Estamos vivendo a década da implementação. A Agenda 2030 não é uma escolha, é uma urgência. O que vimos ao longo do Fórum é que as empresas brasileiras estão avançando, medindo resultados, construindo mecanismos de implementação e transformando ambição em ação concreta”, afirmou Guilherme Xavier, diretor executivo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
Protagonismo nacional e transição justa A programação teve início com uma análise sobre a evolução dos ODS e o papel do Sistema ONU no apoio à transformação sustentável. Na sequência, especialistas discutiram o potencial brasileiro para liderar soluções relacionadas à economia circular, à gestão sustentável de recursos naturais e ao desenvolvimento de cadeias produtivas capazes de agregar valor à transição energética global.
Os debates também evidenciaram o posicionamento estratégico do Brasil em temas como minerais críticos, energias renováveis, inovação e descarbonização. Em diferentes painéis, participantes defenderam que o país reúne condições únicas para atuar não apenas como fornecedor de recursos, mas como protagonista no desenvolvimento de tecnologias, soluções industriais e modelos de negócio alinhados à nova economia de baixo carbono.
Durante o painel “Da Extração à Regeneração: Novos caminhos para a gestão de recursos naturais”, Marilia Garcez, diretora de Economia Circular, Comunicação e Sustentabilidade da Orizon, destacou o potencial dos biocombustíveis para a transição energética brasileira. “O país finalmente entendeu o valor que o biometano gera para a nossa economia como um combustível alternativo ao diesel”, afirmou.
A transição justa foi outro tema central do encontro. Especialistas ressaltaram que a redução das emissões precisa caminhar lado a lado com a inclusão social, a geração de empregos e o fortalecimento dos territórios como ações indispensáveis para o sucesso das estratégias climáticas.
Financiamento verde e governança responsável O papel do financiamento sustentável também ganhou destaque. Executivos de instituições financeiras e grandes empresas apresentaram experiências voltadas à mobilização de capital para projetos de infraestrutura, saneamento, habitação sustentável, eletromobilidade e adaptação climática. As discussões reforçaram a necessidade de ampliar a capacidade técnica, fortalecer marcos regulatórios e acelerar a estruturação de projetos para ampliar a escala dos investimentos sustentáveis no país.
No painel “Transição Energética: Oportunidade ou Obrigação? O Brasil diante da nova economia”, Michelle Fernandes Vieira, superintendente de Negócios de Impacto e Sustentabilidade da Caixa, ressaltou a importância de ampliar o acesso a instrumentos financeiros voltados à sustentabilidade. “Nós temos uma estratégia clara para impulsionar a democratização do acesso ao crédito. Nós lançamos o Framework de Finanças Sustentáveis, onde oferecemos categorias de investimentos da Caixa organizadas nas frentes social, climática e ambiental”, afirmou.
Ao longo do dia, temas relacionados a governança, compliance, direitos humanos, rastreabilidade das cadeias de valor e responsabilidade corporativa demonstraram que o “S”, de Social, e o “G”, de Governança, da agenda ESG, vêm se consolidando de forma cada vez mais integrada às operações das empresas. O entendimento predominante foi de que transparência, gestão de riscos e respeito aos direitos humanos são fatores essenciais para a competitividade e a resiliência dos negócios.
Clarice Coppetti, diretora executiva de Assuntos Corporativos da Petrobras, salientou, durante o painel “Rastreabilidade na cadeia de valor: onde compliance e direitos humanos se encontram”, a responsabilidade das empresas sobre toda a cadeia de fornecedores. “Se eu estou transacionando hoje com um fornecedor, eu também sou responsável, não só pelas ações dele, mas pelas políticas que ele está implementando. Nesse aspecto, nós verificamos questões de cláusulas contratuais relacionadas a direitos humanos”, afirmou.
“S” de ESG A dimensão humana da sustentabilidade também ocupou espaço de destaque na programação. Painéis sobre saúde mental, liderança, diversidade, inclusão e integração de pessoas refugiadas reforçaram a importância de colocar as pessoas no centro das decisões empresariais e dos processos de transformação organizacional.
Durante o painel “Quem programa o futuro? IA ética e o mundo do trabalho que queremos”, Joice Portella, diretora de Sustentabilidade, Parcerias e Carreiras da Yduqs, chamou a atenção para os desafios da formação profissional em um cenário de rápida evolução tecnológica. “Hoje todos procuram um funcionário com habilidades em IA. Mas, do ponto de vista do recrutamento, é difícil mensurar essas habilidades porque elas mudam a todo tempo. Para o setor educacional, a questão é, afinal, como preparar jovens para um mercado que não sabe exatamente que tipo de profissional quer receber? Por isso é importante fortalecer as habilidades humanas, as soft skills”, afirmou.
Na reta final do evento, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil apresentou avanços de seus movimentos e iniciativas, com a divulgação do Relatório Ambição 2030, com resultados da mobilização empresarial em torno dos ODS. As discussões também abordaram temas como agenda climática, segurança hídrica, salário digno, futuro do trabalho e o uso ético da inteligência artificial, apontando desafios e oportunidades para os próximos anos.
“O Fórum Ambição 2030 mostrou que a transformação já está em curso. O setor privado brasileiro tem demonstrado capacidade de inovação, colaboração e implementação em escala. O desafio agora é acelerar resultados, ampliar parcerias e garantir que essa transformação gere impacto positivo para as pessoas, para os negócios e para o planeta”, destacou Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
Ao reunir diferentes setores em torno de uma agenda comum, o Fórum Ambição 2030 consolidou a mensagem de que os próximos anos serão decisivos para transformar metas em resultados concretos. Em um cenário de desafios globais crescentes, as discussões apontaram que a implementação dos ODS, a transição para uma economia mais sustentável e a construção de modelos de desenvolvimento inclusivos dependem cada vez mais da capacidade de colaboração entre empresas, governos, organismos internacionais e sociedade civil.
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