A Selic vai cair - empresa preparada captura valor, desorganizada apenas ganha fôlego.

Na última reunião do Copom, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15%, sem promover corte imediato, contudo tendência é de cair

Por PAULO UCELLI
3 Min

A Selic vai cair - empresa preparada captura valor, desorganizada apenas ganha fôlego.
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Na última reunião do Copom, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15%, sem promover corte imediato. Ainda assim, o próprio comunicado e as expectativas do mercado indicam que o ciclo de redução dos juros deve começar nas próximas reuniões, possivelmente já em março, desde que o cenário inflacionário continue evoluindo de forma favorável.

Esse ponto é importante, mas o que realmente faz diferença, na prática, é outro aspecto que aparece com frequência no dia a dia das empresas de médio porte: o ciclo de queda de juros não salva caixa. Ele premia governança.

Quando o dinheiro começa a ficar menos caro, abre-se uma janela real de renegociação de dívidas, custos financeiros e estrutura de capital. Essa janela, porém, é curta. Empresas que chegam cedo, com informações organizadas, controle financeiro e um plano claro, conseguem negociar melhor. As que esperam o corte acontecer primeiro costumam chegar tarde, pressionadas pelo caixa, aceitando piores condições, mais garantias e covenants mais restritivos.

Estar pronto para agir não é questão de timing apenas. É questão de preparo. E preparo, hoje, significa ter dados confiáveis, informações estruturadas e capacidade de análise para sustentar decisões. Não existe mais espaço no mundo empresarial para achismo, intuição isolada ou ações impulsivas. Decisão relevante precisa ser tomada com base em números, cenários e impacto financeiro claro.

Se eu tivesse que priorizar três movimentos para os próximos 30 a 60 dias, seriam estes:

  • Primeiro, mapear a dívida e os gatilhos contratuais. Entender prazos, indexadores, garantias, cláusulas restritivas e, principalmente, o que de fato pode apertar o caixa no curto e médio prazo.
  • Segundo, realizar stress tests de caixa com acompanhamento semanal. Os problemas raramente nascem no DRE. Eles aparecem antes no fluxo de caixa, de forma silenciosa, quando não há rotina de monitoramento e análise.
  • Terceiro, iniciar negociações com proposta estruturada, não com pedidos genéricos. Boas condições são conquistadas com transparência, governança e um plano executável, e não com esperança ou improviso.

Selic menor não é um final feliz automático. É uma janela de oportunidade. E janela, no mundo real, só aproveita quem está preparado para agir com informação, método e disciplina. Hoje, qual é o maior gargalo da sua empresa: caixa, dívida ou margem?

Benito Pedro Vieira Santos – especialista em gestão empresarial e reestruturação de empresas e sócio da Avante Assessoria Empresarial.


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Paulo Fabrício Ucelli
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