Por Cristiano Fonseca*
Durante muito tempo, os shopping centers foram definidos pelo que vendiam. Hoje, cada vez mais, são definidos pelas experiências que proporcionam. Sem deixar de cumprir seu papel como centros de compras, esses espaços passaram a se consolidar também como locais de encontro, lazer, serviços e convivência, acompanhando as mudanças de comportamento da sociedade e as novas expectativas dos consumidores.
E essa mudança não aconteceu por acaso.
Durante muitos anos, o varejo esteve focado na transação. O objetivo era atrair consumidores para comprar produtos, mas o comportamento das pessoas mudou. As relações mudaram. As cidades mudaram. E os shoppings precisaram acompanhar essa transformação.
Na prática, os shopping centers se tornaram espaços de convivência.
Muito antes de se falar em economia da experiência, os corredores dos shoppings já serviam como palco para encontros. Amigos se reuniam para ir ao cinema, adolescentes ocupavam as praças de alimentação, famílias passavam os fins de semana juntas e grupos encontravam ali um ponto de encontro seguro e confortável.
Em tempos de Copa do Mundo, por exemplo, era comum encontrar pessoas trocando figurinhas de forma espontânea pelos corredores. Hoje, entendendo essa demanda, muitos empreendimentos criam espaços dedicados para essas interações, oferecendo estrutura para que os frequentadores se sintam acolhidos e pertencentes àquele ambiente.
Mas acredito que existe algo ainda mais importante por trás desse movimento: a construção de vínculos emocionais.
Ao contrário de outros centros de varejo, o shopping costuma fazer parte da rotina das pessoas. Frequentamos o shopping perto de casa, o shopping perto do trabalho ou aquele que faz parte do caminho que percorremos semanalmente. E, aos poucos, ele deixa de ser apenas um lugar onde consumimos para se tornar um lugar onde vivemos experiências ou resolvemos coisas importantes.
É ali que compramos o presente de última hora para um aniversário. Encontramos um amigo para um café. Escolhemos uma roupa para uma ocasião especial. Levamos as crianças para brincar. Assistimos a um filme em família. Jantamos quando a correria do dia não permitiu cozinhar.
Em muitos casos, os shoppings também passaram a oferecer serviços essenciais que ampliam ainda mais sua presença no cotidiano das pessoas. Unidades do Poupatempo, clínicas médicas, laboratórios, academias e outros serviços transformaram esses espaços em verdadeiros centros de conveniência.
Essa evolução também pode ser observada pelos números.
Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o Brasil possui atualmente 658 shopping centers em operação. Juntos, eles recebem cerca de 471 milhões de visitas por mês, reúnem mais de 124 mil lojas e movimentam mais de R$ 200 bilhões por ano.
Embora os números demonstrem a relevância econômica do setor, eles também revelam algo que muitas vezes passa despercebido: milhões de brasileiros escolhem os shoppings como parte de sua rotina de lazer.
Não por acaso, cada vez mais vemos eventos, exposições, experiências culturais, ações sociais e atividades voltadas para diferentes públicos ocupando os corredores desses empreendimentos.
No Atrium Shopping, por exemplo, buscamos constantemente criar experiências que fortaleçam essa conexão com a comunidade. Um exemplo disso é a programação gratuita de patinação que realizamos todos os domingos, das 8h às 12h, com empréstimo de equipamentos para o público.
O que poderia ser apenas uma atividade de lazer acaba se tornando um espaço de convivência, onde famílias compartilham momentos juntas, amigos se encontram e pessoas de diferentes idades descobrem uma nova forma de ocupar seu tempo livre. Ao observar essas cenas, fica evidente que o papel do shopping hoje vai muito além das compras. Estamos falando de um ambiente que promove encontros, bem-estar e a construção de memórias afetivas.
Quando pensamos no futuro dos shopping centers, acredito que é justamente essa capacidade de gerar conexões que continuará diferenciando esses espaços.
Em um mundo cada vez mais digital, marcado por relações mediadas por telas e interações virtuais, os encontros presenciais ganharam ainda mais valor. E os shoppings têm se consolidado como ambientes capazes de proporcionar essas experiências de forma acessível, democrática e segura.
Recentemente, vivemos uma situação que resumiu tudo isso de maneira muito simbólica e emocionante.
Fomos surpreendidos por uma criança de apenas 8 anos que decidiu construir uma maquete do Atrium Shopping em um trabalho escolar. Foi uma escolha espontânea motivada pelo carinho que ela desenvolveu pelo espaço.
Confesso que aquele gesto me fez refletir.
Quando uma criança escolhe dedicar tempo, criatividade e afeto para reproduzir um shopping em miniatura, estamos diante de algo que vai muito além do consumo. Estamos falando de pertencimento.
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CYNTHIA SILVA CASTRO
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