A saúde mental no ambiente de trabalho deixou de ocupar um espaço secundário nas organizações e passou a influenciar diretamente decisões estratégicas.
Afinal, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 15% dos trabalhadores adultos no mundo convivem com algum transtorno mental.
As mesmas entidades apontam que, anualmente, cerca de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos em razão de quadros de depressão e ansiedade. Por trás desse número, estão profissionais sobrecarregados, o que reforça a necessidade de repensar as políticas de Recursos Humanos e a forma como o trabalho é organizado.
A importância da saúde mental no ambiente de trabalho moderno
O Brasil reflete a gravidade observada no mundo. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam que, entre janeiro e julho de 2025, o país registrou um aumento de 143% na média mensal de afastamentos do trabalho por transtornos mentais, em relação ao mesmo período de 2024.
Por trás dessa estatística estão pessoas que enfrentam esgotamento profissional, dificuldade de concentração e perda de sentido no trabalho. No ambiente corporativo, ele se reflete em queda de produtividade e aumento de presenteísmo, absenteísmo e turnover.
Do ponto de vista humano e organizacional, investir em saúde mental gera impactos positivos concretos.
Estratégias de RH para promover o bem-estar emocional
Mudanças recentes no cenário regulatório brasileiro reforçam a centralidade da saúde mental nas práticas de gestão. A atualização da NR-1, com vigência a partir de 2026, amplia as diretrizes do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e redefine responsabilidades das empresas.
Ou seja, as companhias passam a ser responsáveis por identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais associados ao trabalho, como estresse crônico, metas inatingíveis, assédio, sobrecarga e falhas de liderança.
Esse processo envolve a criação de políticas claras de promoção da saúde mental, capacitação das lideranças para lidar com o tema sem estigmas e oferta contínua de recursos de apoio, incluindo benefícios corporativos como:
Flexibilidade e acessibilidade no cuidado psicológico
Nesse contexto, a flexibilidade assume papel central nas políticas de RH. No cenário atual, a flexibilidade proporcionada pelas plataformas digitais tornou-se uma aliada das políticas de RH, facilitando o acesso à terapia online e permitindo que o cuidado com o bem-estar emocional seja integrado à rotina sem a necessidade de realizar grandes deslocamentos.
Além do acesso digital, medidas como horários flexíveis, políticas de home office, dias de folga e possibilidade de pausas contribuem para reduzir a sobrecarga e favorecer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Quando o ambiente organiza o trabalho de forma mais humana, a saúde mental deixa de ser um benefício formal e passa a integrar, de fato, a qualidade de vida no trabalho.
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ANDRE LUCIO ELOI DE SOUZA FILHO
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