Empresas que adoecem: metas abusivas, jornadas excessivas e gestão tóxica na mira da Justiça

Cultura organizacional nociva ganha atenção do Judiciário e acende alerta sobre saúde mental no trabalho

Por DANIELA NUCCI
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O ambiente de trabalho, antes símbolo de realização e progresso, tem se tornado um dos principais gatilhos de adoecimento emocional entre os brasileiros. Metas inatingíveis, pressão psicológica constante, jornadas excessivas e lideranças autoritárias são sintomas de uma estrutura organizacional doente — que, cada vez mais, tem sido questionada nos tribunais trabalhistas.

A advogada Danielle Thaís Valente Veiga de Carvalho, especialista em Direito do Trabalho e integrante da equipe da Jorge Veiga Sociedade de Advogados, aponta um crescimento expressivo nas denúncias envolvendo práticas abusivas no meio corporativo.

“Temos atendido diversos casos em que o ambiente de trabalho é a principal causa do adoecimento do colaborador. O problema é estrutural: não se trata de um funcionário frágil, mas de uma cultura empresarial que ignora os limites humanos”, afirma a advogada.

O que por muito tempo foi naturalizado, hoje começa a ganhar nome, forma e consequência jurídica. Metas desproporcionais, exigências fora da realidade funcional e pressões que extrapolam o razoável têm sido enquadradas como assédio moral organizacional. Da mesma forma, o controle deficiente de jornada, a disponibilidade constante fora do expediente e a cobrança velada por produtividade ilimitada já fundamentaram condenações por danos morais individuais e coletivos.

“Não é incomum vermos empresas que se vendem como inovadoras, modernas e ‘humanizadas’, mas que mantêm práticas de gestão tóxica nos bastidores. O risco jurídico vai muito além das ações individuais: afeta a reputação da marca, sua governança e sua capacidade de atrair e reter talentos”, alerta Danielle.

A especialista reforça que o tema ultrapassa o campo jurídico — é também estratégico. Empresas que não investem em um ambiente de trabalho saudável e em lideranças responsáveis estão mais expostas a litígios, adoecimento coletivo e passivos ocultosque podem comprometer sua sustentabilidade.

“Estamos vivendo uma mudança de mentalidade. Hoje, o compliance não é apenas contábil ou ambiental. Ele é humano. A cultura organizacional passou a ser um pilar de conformidade legal”, conclui a advogada.

 


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