O que faz uma pessoa querer voltar a um hotel?
Há alguns anos, a resposta provavelmente incluiria uma boa localização, um atendimento atencioso e um café da manhã bem servido. Esses fatores continuam essenciais, mas já não bastam. O comportamento do consumidor mudou e, com ele, a forma como a hotelaria passou a enxergar a experiência de hospedagem.
Hoje, o hóspede busca ambientes que transmitam acolhimento, conforto e personalidade. Ele quer viver experiências memoráveis, registrar momentos, compartilhar espaços nas redes sociais e sentir que cada detalhe foi pensado para tornar sua estadia mais agradável.
Não por acaso, o setor vive um momento de expansão. Dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) mostram que a hotelaria brasileira segue em crescimento, impulsionada pelo aumento da ocupação, da diária média e da receita dos empreendimentos. Ao mesmo tempo, novos investimentos ampliam a oferta de hotéis em diversas regiões do país, tornando o mercado ainda mais competitivo.
Nesse cenário, oferecer um bom quarto já não é suficiente. É preciso criar experiências. E existe um elemento que participa silenciosamente de praticamente todos os momentos da jornada do hóspede: o mobiliário.
Pode parecer um detalhe, mas é ele que recebe o visitante no lobby, acompanha o café da manhã, acolhe durante uma reunião de trabalho, oferece conforto em momentos de descanso e contribui para a sensação de bem-estar dentro do apartamento.
Na maioria das vezes, o hóspede não vai comentar sobre a cadeira onde trabalhou ou a poltrona onde leu um livro. Mas certamente perceberá quando esses elementos forem desconfortáveis, pouco funcionais ou não conversarem com a proposta do ambiente. Da mesma forma, quando tudo funciona em perfeita harmonia, fica a sensação de que aquele hotel foi pensado para ele.
Essa percepção faz toda a diferença!
A própria forma de viajar mudou. O crescimento das viagens que combinam negócios e lazer, conhecido como *bleisure* aumentou a permanência dos hóspedes nos espaços comuns dos hotéis. O lobby deixou de ser apenas uma área de passagem e passou a funcionar como ponto de encontro, ambiente de trabalho, espaço para reuniões informais ou simplesmente um local para relaxar. Os quartos também precisaram evoluir para atender diferentes perfis de hóspedes, oferecendo conforto tanto para quem está em uma viagem de férias quanto para quem precisa passar horas trabalhando.
Tudo isso exige projetos muito mais inteligentes. O mobiliário deixou de cumprir apenas uma função estética e passou a integrar a estratégia dos empreendimentos. Ergonomia, funcionalidade, resistência, facilidade de manutenção e qualidade dos materiais são fatores que impactam diretamente a experiência do cliente e também a eficiência operacional dos hotéis.
Ao mesmo tempo, cresce a importância da identidade dos ambientes.
Em um mercado onde muitos serviços acabam sendo semelhantes, o design tornou-se uma poderosa ferramenta de diferenciação. Cada hotel busca transmitir sua personalidade, seja por meio de uma atmosfera contemporânea, de referências à cultura local ou de uma proposta mais sofisticada e exclusiva. O mobiliário é um dos principais responsáveis por materializar esse conceito e transformar a arquitetura em uma experiência sensorial.
Por isso, arquitetos e especificadores procuram, cada vez mais, soluções que permitam liberdade criativa. A possibilidade de escolher acabamentos, cores, revestimentos e materiais faz com que cada projeto seja único e reflita a identidade do empreendimento.
Durante muito tempo, acreditou-se que esse nível de personalização era incompatível com grandes projetos. Hoje, a indústria evoluiu e já é possível desenvolver mobiliário sob medida para hotéis de todos os portes, conciliando escala produtiva, qualidade e personalização. Essa capacidade amplia as possibilidades dos arquitetos e permite que grandes redes ofereçam ambientes exclusivos, sem abrir mão da eficiência necessária para a operação.
Mais do que fabricar móveis, trata-se de compreender como as pessoas vivem os espaços.
Quando um hóspede escolhe permanecer mais alguns minutos no lobby porque se sente confortável, quando consegue trabalhar com praticidade dentro do quarto ou simplesmente relaxar ao final de um dia intenso porque o ambiente transmite acolhimento, o mobiliário cumpriu seu papel de forma quase invisível.
E talvez esse seja o maior elogio que um projeto possa receber. Na hospitalidade, as melhores experiências são construídas justamente pelos detalhes que passam despercebidos, mas permanecem na memória, como um lindo hall de entrada ou uma área cuidadosamente pensada próximo a piscina. O conforto, a funcionalidade e o design não chamam atenção por si só. Eles fazem o hóspede sentir que está exatamente onde gostaria de estar.
É essa sensação que transforma uma simples hospedagem em uma experiência capaz de gerar recomendações, fidelizar clientes e fortalecer a marca de um hotel. No final das contas, o hóspede pode até não se lembrar de cada móvel que encontrou pelo caminho, mas certamente se lembrará de como aquele ambiente o fez sentir.
*Tibeti Caviglioni Daniel é CEO da Mavie Móveis e executiva de marketing com mais de 20 anos de experiência em branding, comunicação e gestão estratégica. Atua no desenvolvimento de projetos que unem design, inovação e posicionamento de marcas, além de liderar iniciativas voltadas ao crescimento de empresas e no fortalecimento do empreendedorismo feminino.
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CLÁUDIA REGINA CARNEVALLI
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