Por que os brasileiros desistem da academia?

Mercado fitness cresce no país, mas retenção de alunos vira principal desafio das redes

Por PHILIPE ALVES
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Por que os brasileiros desistem da academia?
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O mercado fitness brasileiro vive um dos momentos mais aquecidos da sua história. Impulsionado pela crescente preocupação da população com saúde, bem-estar e qualidade de vida, o número de academias, estúdios e centros de atividades físicas praticamente triplicou na última década no país. Segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 2025, o Brasil saltou de 22.581 centros de atividades físicas ativos em 2015 para 62.718 em 2025, mais de 170% de crescimento.

Além da expansão estrutural, o setor também vive um movimento de interiorização e amadurecimento. Segundo o estudo, atualmente, mais de 2.570 municípios brasileiros possuem centros de atividades físicas ativos, o equivalente a 46% das cidades do país. O crescimento, porém, esbarra em um desafio cada vez mais estratégico para o mercado: a retenção de alunos.

Embora milhões de brasileiros iniciem atividades físicas todos os anos, manter a frequência e o engajamento após os primeiros meses ainda é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas academias. Em um cenário de concorrência crescente, a experiência passou a ser tão importante quanto os equipamentos ou a estrutura física. E isso passa por alguns motivos que levam os brasileiros a abandonar os espaços. 

Especialistas do setor apontam que a desistência raramente está ligada apenas à disciplina. Entre os fatores mais recorrentes estão:

  • Dificuldade de encaixar o treino na rotina;
  • Vergonha de pedir ajuda;
  • Ambientes considerados intimidadores para iniciantes;
  • Falta de acompanhamento próximo;
  • Monotonia dos exercícios;
  • Pressão estética;
  • Comparação constante nas redes sociais;
  • Ausência de vínculo com a academia.

Para Fernando Nero, CEO da Ultra Academia, muitas pessoas desistem antes mesmo de transformar o treino em hábito porque não conseguem se sentir confortáveis naquele ambiente.

“Existe uma percepção equivocada de que o aluno abandona a academia apenas por preguiça ou falta de disciplina. Muitas vezes ele desiste porque não se sente pertencente àquele espaço. Quando a pessoa chega e sente que está sendo julgada, não entende o treino ou não recebe acolhimento, a motivação desaparece rapidamente”, afirma.

O novo desafio das academias: criar vínculo

Com um mercado mais competitivo, a experiência passou a ser tão importante quanto os equipamentos. É nesse cenário que as academias vêm repensando modelos tradicionalmente associados à alta performance para criar ambientes mais acolhedores e menos intimidadores para os iniciantes.

Na Ultra Academia, esse movimento ganhou o nome de “Soft Wellness”, conceito que prioriza acolhimento, proximidade e uma experiência mais leve dentro das unidades. A estratégia inclui arquitetura mais inclusiva, colorida e menos intimidadora, ausência de catracas, integração entre modalidades, acompanhamento humanizado e estímulo à constância, em vez da pressão por resultados imediatos.

Para Nero, quando o aluno cria vínculo com o ambiente, ele permanece. “Assim, o treino deixa de ser uma obrigação e passa a fazer parte da vida daquela pessoa. Hoje, a retenção está diretamente ligada à capacidade de gerar acolhimento, pertencimento e constância”, conclui o CEO da Ultra.


 

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PHILIPE ALVES REIS
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