Ainda existem bons exemplos a serem seguidos em nossa imensa e instigante metrópole. Visitei nesse mês, junto com a amiga Maria Teresa Fedeli e Luciana Feldman, o Instituto Anchieta Grajaú. Recebeu-nos o fundador Roberto Loeb, o Presidente Maurício Turra e Marília Fanucchi, Coordenadora do Programa Socioambiental. A organização foi fundada em 1994 e procura atuar num projeto que deveria motivar toda a sociedade civil. Oferecer condições de vida digna e de futuro promissor a uma população que tem todas as carências. Há muitos lugares na periferia paulistana que mereceriam tratamento análogo. Mas lá, o idealismo preserva o que restou da natureza, procura resgatar o que se degradou e, principalmente, educa as crianças para que o amanhã seja menos ameaçado por perpetuidade nas condições desfavoráveis. Mais de oitenta profissionais desenvolvem atividades socioeducativas, lúdicas, de arte, cultura, esporte e preservação ambiental. Oficinas de geração de trabalho, renda e convivência, mediação de leitura, teatro, dança, percussão, grafite, artesanato, artes visuais e multimeios, inclusão digital, capoeira, horticultura, paisagismo, compostagem e reciclagem. Ali funcionam o CEI – Centro de Educação Infantil Projeto Anchieta, que resgata o saber popular e estimula processos criativos, o CCA – Centro da Criança e do Adolescente, Arte e Educação, que complementa a formação da infância, o Centro da Juventude, com atividades que contemplam os eixos da convivência social, participação cidadã e mundo do trabalho e os Serviços de Assistência Social à Família, com foco no desenvolvimento comunitário. Promove buscas ativas com visitas domiciliares, atendimento individual e familiar, estudo social e encaminhamento. Emocionou verificar os bebês se alimentando com a nutritiva comida ali elaborada em cozinha profissional e que resultou, como tudo o mais, de um projeto cidadão de participação no processo de redenção de nossos semelhantes. Que o exemplo frutifique e surjam outras iniciativas análogas. É disso que o Brasil precisa e, São Paulo, por sua dimensão, mais ainda do que outras cidades.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
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