O erro que faz empresas desperdiçarem investimento em mídia no e-commerce

Especialista afirma que aumentar o orçamento de campanhas sem corrigir gargalos na operação pode elevar o custo de aquisição e comprometer as vendas

Por PEDRO SENGER
5 Min

O erro que faz empresas desperdiçarem investimento em mídia no e-commerce
Foto: Freepik

Atrair consumidores para um e-commerce nunca foi tão caro. Em um cenário de concorrência acirrada e custos crescentes de aquisição, muitas empresas recorrem ao aumento do investimento em mídia paga para impulsionar as vendas. O problema é que, quando a operação não está preparada para converter esse tráfego, o orçamento pode acabar potencializando falhas que já existiam.

O alerta ganha força diante de um dado que preocupa o setor. Segundo pesquisa da OneKey Payments, divulgada pelo E-Commerce Brasil, 82% dos consumidores brasileiros abandonam a compra antes da conclusão do pagamento, sendo que dificuldades no checkout estão entre os principais motivos para a desistência. O dado mostra que, em muitos casos, o desafio não está em atrair visitantes, mas em garantir que eles concluam a jornada de compra.

Estudos do Baymard Institute reforçam esse cenário. A instituição, referência internacional em experiência do usuário para e-commerce, estima que a taxa média global de abandono de carrinho é de 70,2% e aponta que melhorias na experiência de checkout podem aumentar as taxas de conversão em até 35%, evidenciando que ajustes na operação costumam gerar resultados mais expressivos do que simplesmente ampliar o investimento em mídia.

Para Giovana Caruso Reis Maia, Head de Marketing da TEC4U, empresa especializada em tecnologia, marketing digital e performance para e-commerce, um dos principais erros das empresas é acreditar que a mídia paga, sozinha, será capaz de resolver problemas estruturais da operação.

"Existe uma expectativa de que aumentar o orçamento das campanhas seja suficiente para impulsionar as vendas, mas a mídia apenas potencializa aquilo que o consumidor encontra quando chega ao site. Se a navegação é lenta, as páginas de produto não convencem, o checkout é complexo ou o atendimento não acompanha a demanda, o investimento acaba ampliando essas deficiências."

Segundo Giovana, a busca por resultados rápidos faz com que muitas empresas concentrem seus esforços na aquisição de novos consumidores antes de analisar se a estrutura está preparada para transformá-los em clientes.

"Muita gente encara a mídia como solução, quando ela deveria ser um acelerador. O investimento em marketing só potencializa o que já existe. Se a operação não está preparada para converter, o resultado é mais tráfego, mais custo e praticamente o mesmo volume de vendas."

Na avaliação da especialista, um dos maiores desafios do e-commerce é entender que marketing, tecnologia, experiência do usuário e atendimento fazem parte da mesma estratégia. O consumidor pode chegar por um anúncio, por uma busca no Google, por uma recomendação de inteligência artificial ou por uma rede social, mas sua decisão de compra dependerá da experiência encontrada ao longo da jornada.

Outro ponto de atenção está no atendimento. Cada vez mais empresas direcionam consumidores para canais como WhatsApp e Direct, mas continuam dependentes exclusivamente de equipes humanas para responder às solicitações. Quando o atendimento demora ou acontece apenas em horário comercial, oportunidades de venda podem ser perdidas antes mesmo do primeiro contato.

Além disso, fatores como velocidade de carregamento, experiência em dispositivos móveis, qualidade das páginas de produto, estratégia de SEO e otimização da taxa de conversão (CRO) influenciam diretamente o desempenho da operação.

"Antes de aumentar o orçamento, a empresa precisa entender onde está perdendo vendas. Muitas vezes, a solução não é investir mais em mídia, mas corrigir pontos da jornada, como a experiência de compra, o desempenho da plataforma, o SEO, a qualidade das páginas de produto ou até o tempo de resposta no atendimento. Quando esses gargalos são resolvidos, o investimento passa a gerar um retorno muito maior."

Para Giovana, o mercado precisa abandonar a ideia de que marketing e tecnologia atuam de forma independente. O crescimento sustentável do e-commerce depende de uma visão integrada de toda a operação.

"Investir em mídia sem olhar para toda a operação é como tentar encher um balde furado. Antes de colocar mais dinheiro para atrair clientes, é preciso garantir que a estrutura está preparada para transformar esse tráfego em vendas. É essa visão integrada que faz diferença no resultado do e-commerce.", conclui


 

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PEDRO GABRIEL SENGER BRAGA
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