Leo Bleggi cruza Brasil e Rio da Prata em “Milonga de Contrabando”

Por Verbo Nostro
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Leo Bleggi cruza Brasil e Rio da Prata em “Milonga de Contrabando”
divulgação
Primeiro álbum do violonista e pesquisador radicado em Brasília apresenta arranjos inéditos para milongas, valsas e tangos da região do Rio da Prata, com o álbum “Milonga de Contrabando”.

Brasília (DF), 21 de julho de 2026 - A milonga, a valsa e o tango atravessam fronteiras sem pedir licença. Nascem do trânsito entre portos, pampas, cidades e deslocamentos. É nessa zona de passagem — entre Brasil, Argentina, Uruguai e as paisagens sonoras do Rio da Prata — que o violonista, compositor, arranjador e pesquisador Leo Bleggi apresenta seu primeiro álbum “Milonga de Contrabando. O álbum é uma produção de Bleggi dedicada à música instrumental do Cone Sul e resulta do encontro artístico entre o violonista brasileiro e o mestre do violão argentino Pino Enríquez, que divide com ele a autoria e a interpretação do trabalho.




Mestre em Artes pela Universidade de Brasília (UnB) e professor de Violão Popular da Escola de Música de Brasília desde 2011, Bleggi vem aprofundando sua relação com essa linguagem por meio de estudos, residências artísticas na Argentina e da parceria musical com o violonista argentino Pino Enríquez. 

“Fiz um mestrado sobre milonga há alguns anos e me aprofundei no gênero por meio de residências artísticas na Argentina onde tive a oportunidade de estudar com Pino, Hugo Rivas e Augustín Luna”, conta Bleggi.



Gravado em formato de trio, o álbum reúne Leo Bleggi e Pino Enríquez nos violões e Oswaldo Amorim no contrabaixo acústico. Um dos grandes diferenciais do trabalho está no encontro de dois violonistas com trajetórias como solistas, que compartilham a condução melódica, harmônica e interpretativa do repertório. 

A formação evidencia uma escolha estética: diferentemente de trabalhos mais tradicionais, em que um violão assume a função solista enquanto o outro se concentra na base, neste projeto os dois violões dividem protagonismo. “Eu e Pino fazemos os solos, integrando melodia e harmonia no próprio instrumento e criando uma conversa musical marcada por riqueza de timbres, texturas e possibilidades expressivas”, afirma o músico.

Mais do que revisitar um repertório, “Milonga de Contrabando” propõe um deslocamento de olhar. Bleggi parte da tradição platense, mas evita uma abordagem folclórica ou regionalista. “Este álbum apresenta uma visão urbana da música dessa região - universal e cosmopolita”, explica.

Um contrabandista de milonga
O título do álbum sintetiza a poética do trabalho. Em “Milonga de Contrabando”, Leo Bleggi assume a imagem do músico que atravessa fronteiras levando repertórios, acentos, levadas e modos de tocar. O contrabando, aqui, aparece como metáfora artística: o gesto de fazer circular uma música que pertence ao Sul da América do Sul, mas que não cabe em um único local. “O título do disco é uma brincadeira e se remete ao que acontece em fronteiras, o contrabando. No álbum, eu sou um contrabandista de milongas, porque trago uma música típica de uma região para ser ouvida e apreciada no Brasil”, define Bleggi.

A frase carrega humor, mas também define uma abordagem artística. Ao investigar milongas, valsas e tangos a partir do Brasil central, o artista tensiona a ideia de uma música brasileira restrita aos eixos mais consagrados da identidade nacional. Em vez de perguntar o que pertence ou não ao Brasil, o projeto sugere outra questão: como certos gêneros musicais permanecem à margem de narrativas dominantes, quando na realidade ajudam a compor uma matriz cultural mais ampla do País.

A partir dessa perspectiva, “Milonga de Contrabando” trata milongas, valsas e tangos como repertórios em movimento, reorganizados pela escuta de Bleggi e pela formação em trio.

O Rio da Prata como território sonoro
O repertório do álbum se conecta à região do Rio da Prata, onde milonga, tango e valsa se formaram como gêneros de circulação. Além de ser entendida como um gênero musical, a milonga é um tipo de baile, onde esses três gêneros estão presentes.  

O repertório do álbum se conecta à região do Rio da Prata, espaço em que milonga, tango e valsa se formaram como gêneros de circulação. Além de ser entendida como gênero musical, a milonga também designa um tipo de baile que reúne essas três expressões.

No disco, Bleggi se aproxima desse repertório sem tratá-lo como peça de arquivo. A milonga aparece em suas tensões entre o rural e o urbano; o tango, como linguagem de climas, cortes, acentos e fraseados; e a valsa criolla, como forma incorporada ao universo platense dos bailes. “Mais do que classificar gêneros, o álbum investiga modos de tocar, escutar e reorganizar essas tradições”, explica o músico.

Para Bleggi, tocar esse repertório exige mais do que domínio técnico. “Exige escuta, convivência e compreensão do gesto musical”, explica. Por isso, o álbum ocupa um lugar próprio dentro da pesquisa: é o espaço da criação, da interpretação e da performance.

Trabalho coletivo
Embora “Milonga de Contrabando” seja o primeiro álbum de Leo Bleggi, o músico reconhece a dimensão coletiva do processo. Segundo ele, a parceria com Pino Enríquez e Oswaldo Amorim foi decisiva para a construção sonora do disco.

Bleggi comenta que a presença de Enríquez, músico argentino e seu mestre, estabelece uma ligação direta com a tradição pesquisada. Já Amorim, contrabaixista de Brasília, amplia a base harmônica e rítmica do trio, dando sustentação às atmosferas do repertório.

Essa formação cria uma sonoridade ao mesmo tempo camerística e popular, com espaço para diálogo entre os instrumentos, alternância de funções e construção de climas — dimensão essencial para o tango, a milonga e a valsa.

“O álbum e esses arranjos que a gente fez formam um trabalho muito especial para minha carreira. Não conheço um material com essa integração de linguagens no Brasil hoje. Considero um trabalho com um certo ineditismo”, afirma Bleggi.

Livro amplia a pesquisa para a formação e acessibilidade
Paralelo ao álbum, Leo Bleggi lança o livro digital “Estudando Milongas, Valsas e Tangos: edição com acessibilidade para pessoas com deficiência visual”. A obra foi pensada para completar a formação de músicos populares interessados em tocar e conhecer esses gêneros musicais ou em ampliar o repertório.

Embora tenham origem da mesma pesquisa, os dois produtos têm naturezas diferentes: o álbum se apresenta como obra artística e fonográfica; o livro organiza músicas/harmonias desse mesmo repertório como material de estudo, divulgação e acessibilidade musical.

A publicação, que possui vídeos e áudios de apoio, reúne oito harmonias disponibilizadas em formato play along — recurso em que o instrumentista toca melodias sobre uma base gravada, como um playback. O material pode ser utilizado por solistas e acompanhadores e está adaptado para pessoas com deficiência visual, com melodias e harmonias escritas também em braille.
“Existe uma lacuna na oferta de materiais de formação voltados às pessoas com deficiência visual. Muitas vezes, o ensino da música não considera suas necessidades de acessibilidade”, afirma Bleggi.

A publicação está organizada em três capítulos: o primeiro apresenta uma introdução à música da região Rio da Prata e aos aspectos históricos e musicais da milonga, da valsa e do tango; o segundo aborda as levadas básicas de cada gênero, com explicações voltadas ao violão em vídeo e em partituras, mas adaptáveis a outros instrumentos; e o terceiro reúne partituras com cifras, links para download das partituras em braile e acesso aos áudios do play along.

Segundo o artista, a construção do material envolveu consultoria especializada em acessibilidade e atenção a aspectos que vão além da adaptação visual. A estrutura da publicação foi pensada para funcionar com leitores de tela e os vídeos editados com audiodescrição, permitindo o uso por pessoas com deficiência visual.

Além do álbum e do livro, o músico também ofereceu oficinas no pré-lançamento das produções, propondo uma reflexão sobre práticas pedagógicas inclusivas a partir da experiência musical.

O livro está disponível gratuitamente para download no portal Violão Brasileiro, reconhecido como uma das maiores referências na preservação, pesquisa e difusão do instrumento. A plataforma reúne um amplo acervo de partituras, pesquisas, gravações, vídeos e materiais dedicados ao instrumento.

Sobre Leo Bleggi
Leonardo Bleggi é violonista, compositor, arranjador e pesquisador da música argentina. Mestre em Artes pela Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu pesquisa voltada ao ensino do violão popular e da música do Cone Sul. Desde 2021 mantém parceria musical com o mestre argentino Pino Enríquez. É professor de Violão Popular da Escola de Música de Brasília desde 2011.

Neste ano, lança seu primeiro álbum “Milonga de Contrabando”, trabalho dedicado à investigação de milongas, valsas e tangos em diálogo com a região do Rio da Prata.

Serviço
Lançamento: álbum “Milonga de Contrabando”, de Leo Bleggi

Artista: Leo Bleggi
Formato: álbum com 10 faixas
Gêneros: milonga, valsa e tango
Formação: Leo Bleggi, Pino Enríquez e Oswaldo Amorim
Cidade: Brasília
Ano: 2026
Disponível nas principais plataformas de streaming.

Livro vinculado ao projeto: “Investigando Milongas, Valsas e Tangos: edição para pessoas com deficiência visual”
Autoria: Leo Bleggi
Disponível no portal Violão Brasileiro: 
https://www.violaobrasileiro.com.br/loja/categoria-produto/ebooks/

Instagram:
https://www.instagram.com/leobleggi/

YouTube:
https://www.youtube.com/@leobleggi2133

Acesso ao álbum pelo Spotify:
https://open.spotify.com/intl-pt/album/1aSu0bKWaaO9pgrkZDdrrV?si=2u35CRNYRKKDbJd2tdA-bA

Crédito
Os produtos apresentados (álbum, publicação e oficinas) foram realizados a partir de projeto realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF). 

 

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VALTER JOSSI WAGNER
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FONTE: https://www.instagram.com/verbonostro/
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