Empresas brasileiras já utilizam ativos digitais sem comprar criptomoedas

Tokenização, liquidação programável e registros distribuídos começam a transformar operações financeiras corporativas nos bastidores de bancos e fintechs

Por SANDRA SOLDA
4 Min

Empresas brasileiras já utilizam ativos digitais sem comprar criptomoedas
Divulgação
As empresas brasileiras estão ingressando na economia dos ativos digitais sem, necessariamente, investir em criptomoedas ou operar diretamente com blockchain. A mudança ocorre por meio da adoção de serviços financeiros que utilizam tokenização, registros distribuídos e contratos inteligentes em sua infraestrutura, permitindo operações mais automatizadas e eficientes sem alterar a experiência do usuário corporativo. 
Na prática, operações como antecipação de recebíveis, pagamentos internacionais, concessão de crédito, gestão de garantias e liquidação financeira já podem utilizar ativos tokenizados nos bastidores. Para as empresas, o processo continua semelhante ao de uma operação bancária convencional, realizada por internet banking, APIs ou plataformas financeiras, enquanto a tecnologia atua na camada de infraestrutura.
"A grande mudança acontece na infraestrutura, e não na experiência do usuário. A empresa continua acessando os serviços financeiros pelos mesmos canais de sempre, mas, nos bastidores, bancos e instituições já começam a utilizar tecnologias como tokenização e registros distribuídos para tornar essas operações mais ágeis, seguras e automatizadas", afirma Cleverson Pereira, Head Educacional da OnilX.

O avanço acompanha uma tendência observada no sistema financeiro global, que busca integrar recursos como dinheiro programável e tokenização à infraestrutura regulada. Entre os principais benefícios estão a redução dos processos de conciliação, a maior rastreabilidade das operações, a liquidação simultânea entre ativos e pagamentos, a automação por contratos inteligentes e o funcionamento contínuo das transações.
"O debate sobre ativos digitais ainda costuma ficar restrito às criptomoedas, mas a transformação mais relevante está acontecendo na infraestrutura financeira. Muitas empresas já utilizam soluções baseadas em tokenização sem sequer perceber, porque a tecnologia permanece nos bastidores dos serviços oferecidos por bancos, fintechs e plataformas de crédito", complementa Pereira.
No Brasil, iniciativas como o Drex e a regulamentação dos prestadores de serviços de ativos virtuais reforçam esse movimento ao criar condições para o desenvolvimento de uma infraestrutura financeira programável. O ambiente favorece aplicações em áreas como comércio exterior, mercado de crédito, recebíveis, garantias, agronegócio e gestão de tesouraria corporativa.
"À medida que o ambiente regulatório evolui, as empresas passam a ter acesso a serviços financeiros mais eficientes sem precisar mudar a forma como operam. A tendência é que a tokenização seja incorporada gradualmente aos produtos oferecidos por bancos e instituições financeiras, tornando essa tecnologia praticamente invisível para o cliente corporativo", acrescenta Pereira.
Segundo o especialista, a expectativa é que a digitalização da infraestrutura financeira avance de forma contínua, tornando-se cada vez mais presente nas operações empresariais, ainda que permaneça imperceptível para grande parte dos usuários. “Essa transformação tende a acontecer de forma silenciosa. As empresas não precisarão dominar conceitos técnicos para utilizar ativos digitais, porque a tecnologia será incorporada aos serviços financeiros do dia a dia. O impacto será percebido principalmente na redução de etapas, no aumento da automação e na maior eficiência das operações”, completa Pereira.

 
 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
SANDRA DE OLIVEIRA SOLDA
[email protected]


Notícias Relacionadas »