O que as crianças realmente precisam nas férias?

Educadora parental defende que o maior desafio não é ocupar cada minuto das férias, mas preservar o brincar, fortalecer vínculos e reduzir a culpa que recai sobre  os pais.

Por JFS
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O que as crianças realmente precisam nas férias?
Divulgação

Com o início das férias escolares, milhões de famílias brasileiras enfrentam um desafio comum: o conflito entre as demandas do trabalho e a necessidade de atenção dos filhos. Para a educadora parental, Flavia Soares, o caminho para aliviar a sobrecarga e a culpa materna e paterna não está em grandes investimentos, mas na qualidade da conexão emocional e na preservação do brincar livre.

O período de recesso frequentemente acentua o sentimento de insuficiência entre os adultos, que tentam conciliar reuniões, tarefas domésticas e o entretenimento das crianças. Segundo Flavia, a ciência reforça a ideia de que o ócio e o brincar são pilares do desenvolvimento, favorecendo a criatividade, a autorregulação emocional e a resolução de problemas.

"Acredito que a pergunta que devemos fazer não é 'como entreter as crianças durante um mês', mas 'como preservar a infância dentro da rotina possível de cada família'.' Essa mudança de perspectiva faz toda a diferença para reduzir a pressão sobre os pais", afirma a especialista.

Conexão e Previsibilidade

Para famílias que não conseguem coincidir o período de descanso com o das crianças, a especialista sugere a estratégia da "presença antes da ausência". Dedicar de 10 a 20 minutos de atenção plena logo no início do dia pode reduzir a demanda constante da criança por atenção ao longo das horas de trabalho dos pais. Outra dica é incluir a criança nas atividades dos adultos, como limpeza e organização, e até auxiliar na preparação das refeições.

Outro ponto fundamental é a previsibilidade. "Para as crianças, rotina significa segurança, por isso, sugerimos a criação de uma "Roda da Rotina", um cronograma visual construído com os filhos que inclua momentos de leitura, brincadeiras, tempo ao ar livre e telas. Isso ajuda a fomentar a autonomia infantil", reforça Flavia.

Diversão sem Pesar no Bolso 

Para aqueles que não têm como viajar, ir a parques de diversões ou atividades que pesem no bolso, a educadora parental ressalta que as melhores lembranças não dependem de orçamentos altos. "Piqueniques no quintal, cabanas de lençol e receitas feitas em conjunto são ferramentas poderosas para fortalecer o vínculo." 

Autocuidado 

Nesse período de férias das crianças, os pais costumam ficar ainda mais sobrecarregados, então um alerta que não podemos deixar de lado é que o adulto também precisa de pausas.

"Cuidar de si não é um luxo, é uma forma de renovar as próprias forças. Se o que cabe na rotina é um café em silêncio ou um banho mais demorado, os pais devem se permitir esse instante sem culpa", pontua a especialista.

Conexão

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Flavia Soares, educadora parental
Flavia Soares, educadora parental
undo a educadora, o maior convite das férias não é buscar a perfeição nem investir em uma programação cara, mas valorizar a presença possível e os momentos de conexão em família. "O maior presente das férias não é aquilo que se compra ou se planeja, mas o vínculo que se fortalece. Essa fase passa muito mais rápido do que imaginamos. Com um pouco de organização, as férias podem deixar de ser uma fonte de estresse e se transformar em uma oportunidade de criar memórias afetivas. Uma sessão de cinema na sala, preparar uma receita juntos, montar uma cabana de lençóis ou brincar de faz de conta são experiências simples que costumam permanecer na memória das crianças por muito tempo. Afinal, são esses pequenos momentos compartilhados que levamos para a vida", conclui Flavia.  

 


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JOVENILIO FRANCISCO SOARES
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