E-commerce está esvaziando os centros comerciais do Brasil
O crescimento do comércio eletrônico e a mudança nos hábitos da população deixam o varejo de rua tradicional com o desafio de se reinventar; Charles Mendlowicz analisa o cenário
PorPUBLISH IDEAS•
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Crédito: Awesome Content/Freepik
Quem viveu o comércio de rua no início dos anos 2000 certamente guarda na memória a imagem de calçadões centrais repletos de consumidores. Ter uma loja em um ponto movimentado era sinônimo de sucesso e um ativo valioso repassado por gerações. Contudo, essa realidade ficou no passado. O economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, aponta para uma transformação profunda no comércio brasileiro: o varejo físico de rua está sendo dizimado pela ascensão do e-commerce. Mendlowicz relembra que, até a primeira década deste século, o fluxo nos grandes centros era uma garantia comercial. "Eu me recordo quando ter uma loja no Centro de qualquer cidade era uma garantia de sucesso. Não só ter uma loja, como também ser proprietário de pontos comerciais a alugá-los para comerciantes. Tudo isso dava muito dinheiro", afirma o economista. Ele cita que, ao se mudar para o interior de Santa Catarina em 2006, os calçadões aos sábados pela manhã eram lotados, um cenário que também se repetia em grandes cidades, como nas ruas de Copacabana e no Centro do Rio de Janeiro. Consumidores migram em massa para as telas A virada de chave aconteceu nos últimos anos, impulsionada pela conectividade e por novos gigantes globais. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, hoje, com mais de 90,5% da população brasileira utilizando a internet, a barreira do medo de comprar online ruiu. Dados da pesquisa também apontam que o uso da rede para aquisição de bens e serviços saltou de 47,9% em 2024 para 52,7% em 2025, o que representa uma migração massiva de novos e-consumidores em um curto período. "São milhões de pessoas que, se não houvesse e-commerce, estariam indo no Centro de uma cidade comprar alguma coisa, estariam consumindo. Agora, elas fazem compras por meio de telas", destaca Charles. Diante de plataformas como Mercado Livre, Amazon, Shopee e Temu, as tradicionais "feirinhas da madrugada" e os comércios populares de bairro perderam o apelo prático. "Agora, com Temu, Shopee e Shein, quem vai acordar de madrugada para comprar um boné de marca famosa? Ninguém. A alternativa mais cômoda é pesquisar preços e efetuar a compra em marketplaces ou nos sites das lojas", reflete. O Economista Sincero destaca também o avanço tecnológico que remodelou as vendas por meio das redes sociais, pelas quais pequenos e médios negócios faturam através de lives no TikTok e outras plataformas. Varejo de rua enfrenta desafios econômicos e estruturais Embora os shopping centers consigam resistir melhor por oferecerem uma experiência de lazer associada à segurança e ao conforto, as lojas de rua sofrem diretamente com a falta de infraestrutura e com a criminalidade urbana. No entanto, migrar para o ambiente digital não é uma tarefa simples para o comerciante tradicional, que se vê asfixiado por problemas macroeconômicos. "Muitos comerciantes até poderiam ir para o online, mas não tem condições para isso. Estão enfrentando dívidas, o juro está quase 15% ao ano. É uma situação difícil para quem enfrenta problemas para manter o ponto no varejo tradicional. Migrar para live shops pode parecer fácil, mas não é. Muitos empreendedores estão sem fôlego”, pondera Mendlowicz. Além disso, o e-commerce brasileiro impõe seus próprios desafios, como o combate a fraudes digitais complexas e o roubo de smartphones que alimentam o cibercrime. Até mesmo gigantes tradicionais do varejo enfrentaram severas dificuldades para competir com a agilidade logística internacional. Diante deste cenário, a análise de Charles Mendlowicz é categórica e serve como um alerta para o mercado: "Essa situação das lojas de rua, na minha opinião, só vai piorar daqui pra frente", conclui o economista. Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller "18 princípios para você evoluir". Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
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