Otite de viagem: os cuidados com os mergulhos nas férias

A umidade retida no canal auditivo após banhos de piscina ou mar altera o pH local e favorece a proliferação de fungos e bactérias, resultando em infecções agudas e dores intensas.

Por Bendita Letra
4 Min

Otite de viagem: os cuidados com os mergulhos nas férias
Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil
 

A temporada de férias de julho chegou e, mesmo com o clima mais frio, muita gente aproveita o recesso escolar para viajar e curtir piscinas aquecidas em hotéis, resorts ou parques aquáticos. O problema é que, nos bastidores dos consultórios, essa época costuma trazer um acompanhante bem incômodo: a dor de ouvido. A vilã da vez é a otite externa, que acontece quando a água fica acumulada no canal auditivo depois dos mergulhos, bagunçando as defesas naturais da região e criando o cenário ideal para dores intensas.

Na prática, essa umidade esquecida ali dentro altera o pH local e retira a camada que protege a pele do ouvido. É o suficiente para que fungos e bactérias façam a festa, causando uma inflamação aguda que chega sem aviso, trazendo uma dor latejante e aquela sensação chata de ouvido entupido. Como o vento dessa época do ano costuma ser mais gelado, o desconforto na orelha pode parecer ainda mais agressivo.

A médica Loyane Bronzon explica que o desespero para aliviar o incômodo costuma ser o estopim para a situação piorar. “O maior erro de quem está viajando é usar hastes flexíveis de algodão, ou pior, improvisar com tampas de caneta e chaves para tentar tirar a água ou coçar. Isso só empurra a cera que deveria proteger o canal, machuca a pele sensível e abre o caminho de vez para as bactérias”, alerta a otorrinolaringologista, que também é especialista em saúde infantil e distúrbios do sono.

Quem tem filho pequeno sabe que as crianças são o alvo mais fácil, já que elas topam entrar na água mesmo no frio e não querem sair da piscina aquecida por nada. Além disso, a própria anatomia do ouvido delas facilita o acúmulo de líquido. O resultado? A dor costuma dar as caras com força total bem no meio da noite, acabando com o sono de todo mundo e interrompendo o roteiro de passeios da família.

Para curtir as férias de inverno sem precisar caçar uma emergência de madrugada, o segredo está em pequenos hábitos logo após sair da água. A dica de ouro é deitar a cabeça de lado para deixar a água escorrer naturalmente e secar a orelha apenas com uma toalha macia, usando a ponta do dedo, sem empurrar nada lá dentro. Manter as orelhas protegidas do vento frio logo após saírem da piscina aquecida também ajuda a evitar choques térmicos desconfortáveis.

"Para quem já costuma ter esse problema direto ou para os pequenos que passam horas na água, vale a pena usar aqueles protetores de silicone moldáveis durante o banho. Se a dor ou o ouvido tapado começarem a incomodar, o melhor é procurar um médico logo e passar longe de gotinhas caseiras ou indicadas por leigos", finaliza Loyane.

Fonte: Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil
 


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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