Quer estudar fora? Veja dicas para aplicar em universidades no exterior

Entre atividades extracurriculares, uso da nota do Enem e intercâmbio de férias, saiba como se preparar para realizar o sonho de estudar em outro país

Por VICTóRIA GORSKI
6 Min

Quer estudar fora? Veja dicas para aplicar em universidades no exterior
Foto: Divulgação/The British College of Brazil

De acordo com dados da UNESCO, compartilhados em 2024, cerca de 7,3 milhões de estudantes escolheram universidades no exterior para dar continuidade aos estudos. Nesse cenário, o brasileiro tem se interessado cada vez mais por estudar fora: somente via Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), 26,7 mil pós-graduandos brasileiros estudaram no exterior com bolsa nos últimos seis anos. 

Seja pela busca de novos ares, aprender um novo idioma ou para atender as exigências de um mercado de trabalho cada vez mais concorrido, muitos estudantes brasileiros vêm optando por uma educação internacional. Os Estados Unidos, Canadá e a Inglaterra despontam como os principais destinos. 

Esse é o caso da Helena Miresh Kirtikumar, aluna da The British College of Brazil que recebeu uma bolsa de estudos parcial na Universidade de Purdue, nos Estados Unido, graças ao seu desempenho acadêmico:  

“A BCB teve um papel fundamental na minha trajetória acadêmica. Os professores extraordinários foram muito além do esperado, criando um ambiente em que me senti apoiada, desafiada e inspirada a alcançar meu potencial máximo e a buscar sempre a excelência. Ao longo dos programas IGCSE e IB, desenvolvi a confiança e a disciplina necessárias para estar extremamente bem preparada para a vida universitária”, compartilha.  

Com uma educação global desde pequena, a jovem de 18 anos optou por cursar Engenharia Biomédica com ênfase em Pré-Medicina na Universidade de Johns Hopkins, uma das mais prestigiadas do país. A escola, por sua vez, soma 150 ofertas de ingresso aos seus 37 formandos de 2026 – totalizando conquistas em 79 universidades de prestígio, localizadas, em sua maioria, nos Estados Unidos e Inglaterra. Para Adriana Caton, Educational Counselor da escola, a preparação para uma graduação internacional é resultado de um trabalho consistente ao longo dos anos, que envolve orientação especializada, desenvolvimento acadêmico e uma formação alinhada aos critérios das principais universidades globais. 

Segundo a especialista, uma das formas de se preparar é aproveitar oportunidades de imersão acadêmica ainda durante a educação básica. Nesse sentido, as férias de julho podem ser uma excelente ocasião para participar dos Summer Camps, programas em que universidades abrem suas portas para estudantes estrangeiros conhecerem o campus, vivenciarem a rotina acadêmica e explorarem diferentes áreas de interesse profissional.  

O que é preciso?  

A especialista explica que o primeiro passo está em compreender as exigências de ingresso de cada país. Além do desempenho acadêmico, as universidades estrangeiras costumam valorizar a participação em projetos sociais, clubes escolares, competições, olimpíadas e esportes.  

"É importante que, antes de tudo, o aluno pesquise as exigências do país e da universidade de seu interesse, de preferência logo no início do ensino médio. Assim, ele poderá direcionar sua formação e suas atividades extracurriculares para atender a esses requisitos", completa a profissional de The British College of Brazil. 

Caton lembra que alguns países também exigem a aplicação de testes padronizados, como é o caso dos Estados Unidos com o SAT (Scholastic Assessment Test) ou o ACT (American College Testing).  

Hoje, diversas escolas internacionais já direcionam seus conteúdos para a resolução dessas provas, bem como para o domínio da escrita de redações (ou essays, como são popularmente conhecidas), que devem ser personalizadas e autênticas, defendendo seus diferenciais. 

Como aplicar?  

Quem já está no ano de conclusão precisa estar atento ao calendário de ingresso das faculdades. Aqui, a orientação também é fazer uma pesquisa rigorosa sobre o calendário acadêmico da faculdade de escolha e a forma de envio dos documentos. 

As universidades estadunidenses, por exemplo, apresentam três períodos de admissão: Early Decision, Regular Decision e Rolling Admission. Cada um desses segue um processo específico, com prazos de candidaturas e exigências diferentes. Antes da chegada dos prazos, também é importante que os candidatos tenham as documentações exigidas devidamente separadas e organizadas. 

Esses documentos incluem históricos escolares traduzidos e autenticados, certificados de proficiência (como TOEFL ou IELTS), resultados de testes como SAT ou ACT (quando exigidos) e cartas de recomendação de professores ou orientadores que conheçam bem o perfil do estudante. Além disso, algumas instituições podem exigir documentos financeiros, principalmente para a emissão do visto de estudante. 

Bolsas de estudos 

Para quem deseja se candidatar às bolsas de estudo, como no caso de Helena, é importante entender as modalidades oferecidas por cada país e instituição. As universidades geralmente oferecem dois tipos principais: need-based e merit-based. Enquanto a primeira avalia a situação social e financeira de cada aluno, a segunda refere-se ao desemprenho acadêmico ou em atividades extracurriculares, como o esporte ou habilidades artísticas. 

Além disso, os estudantes brasileiros podem explorar oportunidades externas às universidades, como programas governamentais e fundações que oferecem apoio financeiro. 

É possível usar a nota do Enem?  

Atualmente, cerca de 26 universidades em Portugal aceitam a nota como base para admissão, tanto em instituições públicas quanto privadas. O país é o único, além do Brasil, que aceita o exame como substituto dos vestibulares locais. 

Para a candidatura, o estudante deve consultar os requisitos específicos de cada instituição, já que as notas mínimas e os critérios de seleção podem variar. Além do desempenho no exame, algumas universidades podem solicitar documentação complementar, como histórico escolar, comprovante de conclusão do ensino médio e certificados de proficiência em idiomas. 


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MARIA VICTORIA GORSKI VIEIRA BARBOSA
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