Índia ganha espaço nas exportações brasileiras e desafia hegemonia chinesa
PorDAVID FLORIM•
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Cristiane Fais - divulgação
A Índia, atualmente a nação mais populosa do planeta e uma das economias que mais crescem no mundo, vem consolidando sua posição como uma das principais parceiras comerciais do Brasil. Em um cenário de diversificação dos mercados internacionais e de busca por novos destinos para os produtos brasileiros, o país asiático desponta como uma oportunidade cada vez mais relevante para exportadores e importadores.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras para a Índia cresceram 27,5% em 2025, atingindo US$ 4,43 bilhões entre janeiro e setembro. No mesmo período, as importações provenientes do país asiático aumentaram 24,7%. A corrente de comércio entre as duas nações já alcançou US$ 15 bilhões, avanço de 25,5% em relação ao ano anterior.
Hoje, a Índia ocupa a posição de 13º principal destino das exportações brasileiras e é a sexta maior origem das importações realizadas pelo Brasil. Açúcar, petróleo bruto, óleos vegetais e algodão estão entre os principais produtos enviados pelos brasileiros, enquanto compostos químicos, combustíveis refinados, defensivos agrícolas e medicamentos lideram as compras vindas do mercado indiano.
Para a empresária e especialista em comércio exterior Cristiane Fais, CEO da Accrom Consultoria em Logística Internacional e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP nas regiões de Ribeirão Preto, Franca e Sertãozinho, a ascensão da Índia representa uma transformação importante no mapa comercial brasileiro.
"A Índia vive um momento econômico semelhante ao que a China experimentou décadas atrás, com forte expansão da indústria, crescimento da renda e aumento do consumo. Isso abre inúmeras oportunidades para os produtos brasileiros e para empresas que desejam internacionalizar seus negócios", afirma.
Segundo ela, embora a China ainda seja, de longe, o principal parceiro comercial do Brasil, a dependência excessiva de um único mercado torna necessária a diversificação.
"É natural que surja a pergunta: a Índia pode se tornar a nova China para o Brasil? Ainda existe uma diferença muito grande entre os dois países em termos de volume comercial, mas a tendência de crescimento da economia indiana e a complementaridade entre as economias dos dois países indicam que a Índia pode assumir um papel cada vez mais estratégico para os exportadores brasileiros", avalia.
Cristiane destaca que a ampliação dos acordos comerciais e o fortalecimento das relações entre Mercosul e Índia poderão acelerar esse processo nos próximos anos.
"Empresas brasileiras precisam olhar para a Índia não apenas como um mercado distante, mas como um parceiro de longo prazo. Estamos falando de um país com mais de 1,4 bilhão de habitantes, uma classe média crescente e uma demanda cada vez maior por alimentos, energia e insumos industriais. Quem começar a construir relacionamentos agora poderá colher resultados importantes no futuro", conclui.
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