Para Red Hat, confiança se torna elemento estratégico para a adoção responsável da IA nas empresas

Diretor de tecnologia destaca que governança, transparência e supervisão humana devem ser incorporadas desde a concepção de soluções de IA para garantir escalabilidade e sustentabilidade no ambiente corporativo

Por ERIC REALE
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Red Hat

À medida que a inteligência artificial avança o estágio experimental para aplicações cada vez mais integradas às operações empresariais, cresce também a preocupação das organizações com aspectos relacionados à governança, transparência e responsabilidade no uso da tecnologia. Mais do que alcançar ganhos de produtividade e eficiência, empresas passam a discutir como desenvolver sistemas capazes de inspirar confiança e atender a exigências regulatórias e éticas. 

Dados recentes do IBM Institute for Business Value reforçam esse cenário. Segundo levantamento global divulgado recentemente, 77% dos CIOs e CTOs consideram que as estruturas atuais de governança são insuficientes para acompanhar a velocidade de expansão da IA nas organizações, enquanto apenas 11% afirmaram estar totalmente preparados para implantações em larga escala.                                                                                                                            

Nesse contexto, Boris Kuszka,  Diretor de Tecnologia do segmento Enterprise para o Brasil na Red Hat,  avalia que a discussão sobre IA corporativa precisa evoluir para além dos aspectos técnicos relacionados à performance dos modelos. 

"A confiança deixou de ser um elemento complementar e passou a integrar a própria arquitetura das soluções de inteligência artificial. Conforme essas tecnologias influenciam decisões relevantes para empresas e sociedade, torna-se necessário incorporar mecanismos de transparência, supervisão e responsabilização desde as etapas iniciais de desenvolvimento", afirmou Kuszka.

Segundo o executivo, o debate sobre IA responsável não deve ser encarado apenas sob a ótica da conformidade regulatória, mas como um componente importante para a sustentabilidade das iniciativas de inovação no longo prazo.

"A construção de sistemas confiáveis exige processos capazes de garantir rastreabilidade, explicabilidade e alinhamento com os princípios e objetivos das organizações. Sem esses elementos, os desafios relacionados à adoção da tecnologia tendem a se ampliar à medida que os projetos ganham escala", diz.

Outro aspecto relevante é o papel das equipes multidisciplinares na definição de diretrizes para o uso corporativo da inteligência artificial. De acordo com a liderança, decisões relacionadas à governança da IA não devem ficar restritas às áreas técnicas, exigindo a participação de lideranças de negócios, especialistas jurídicos, profissionais de segurança e representantes das áreas impactadas pelas aplicações.

"A implementação responsável da IA depende da combinação entre inovação tecnológica e supervisão humana. Construir modelos eficientes é apenas parte do desafio; estabelecer critérios claros sobre como essas soluções serão utilizadas é igualmente importante", destacou.

Tecnologias voltadas à gestão de ambientes híbridos, observabilidade e governança de modelos vêm sendo incorporadas às estratégias corporativas para ampliar a visibilidade sobre dados, aplicações e fluxos operacionais relacionados à IA.

Assim, a consolidação da inteligência artificial nas empresas dependerá, cada vez mais, da capacidade das organizações de estruturar modelos de adoção que conciliam eficiência, segurança e responsabilidade. Para tal, a construção dessa confiança deve representar um diferencial importante para empresas que buscam expandir o uso da IA de maneira sustentável e alinhada às expectativas de clientes, colaboradores, reguladores e da sociedade.


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