Pessoas trans recorrem à fonoaudiologia para adequação vocal
PorEMILLY ANDRADE•
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O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ é celebrado anualmente em 28 de junho. A data é um marco global de visibilidade, conscientização e luta por direitos, com o objetivo de promover o respeito à diversidade e o combate à discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e outras identidades e orientações.
Entre as múltiplas formas de discriminação, um aspecto muitas vezes abordado é a relação com a voz, reconhecida como importante marcador social de gênero, ainda que não haja um único modo "correto" de expressar gênero. No entanto, para algumas pessoas trans, a maneira como a voz é percebida pode interferir na afirmação de sua identidade. Para resolver essa questão, muitas recorrem à ajuda de especialistas.
De acordo com o fonoaudiólogo Ronielio Ribeiro (CRFa 2-15727-1), conselheiro do Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região, há como contribuir para que a terapia vocal esteja alinhada à identidade de gênero. "A terapia vocal afirmativa de gênero envolve técnicas não invasivas e seguras para adequação vocal. Intervém-se de forma global em múltiplos parâmetros da voz e da fala, como a frequência fundamental (o tom da voz), ressonância, articulação, prosódia, respiração, projeção e expressividade, sempre respeitando o desejo e os objetivos de cada indivíduo", explica o fonoaudiólogo.
De acordo com o especialista, a incongruência entre a voz e a identidade, quando percebida como sofrimento, afeta profundamente a qualidade de vida.
"A importância desse cuidado transcende a acústica, pois a inadequação vocal é um fator crítico de disforia de gênero, gerando intenso sofrimento psicológico, isolamento e vulnerabilidade à transfobia. A literatura científica comprova que a terapia fonoaudiológica está diretamente correlacionada a uma melhora significativa na autopercepção e na integração social. Por isso, o processo deve ser centrado na autonomia da própria pessoa, de forma individualizada, segura e sem impor padrões normativos", conclui.
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