IA continua mudando o recrutamento nas empresas, mas fator humano ainda é essencial nas decisões
Tecnologia já ajuda empresas a triar currículos, identificar competências e acelerar contratações, mas especialista afirma que contexto e análise comportamental continuam decisivos na escolha dos candidatos
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A inteligência artificial (IA) está há muito tempo se tornando parte da rotina dos processos seletivos nas empresas brasileiras. Da triagem de currículos à análise de competências, passando pelo apoio à comunicação com candidatos e à geração de insights para recrutadores, a tecnologia vem transformando a forma como as organizações atraem e selecionam talentos.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de digitalização do mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa de Tendências 2026 da Catho, plataforma gratuita de empregos, 45% das empresas apontam a inteligência artificial como uma das principais tendências para os negócios neste ano. Além disso, 47% afirmam que conhecimentos relacionados à IA estão entre as competências técnicas mais procuradas nos currículos dos candidatos.
Já um estudo da consultoria PwC aponta que organizações podem alcançar ganhos de receita e eficiência até 7,2 vezes mais do que outras empresas ao integrar a IA de forma estratégica e em escala.
"A inteligência artificial vem assumindo tarefas operacionais que antes consumiam muito tempo das equipes de recrutamento, como a triagem inicial de currículos, a organização de informações e a identificação de perfis aderentes às vagas. Isso permite que os profissionais de RH direcionem mais energia para atividades que exigem análise humana, como a avaliação comportamental e a experiência dos candidatos”, explica Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho.
Além da agilidade, a tecnologia também contribui para lidar com um volume crescente de candidaturas. Em processos seletivos que recebem centenas ou até milhares de inscrições, ferramentas de IA ajudam a identificar competências específicas, bem como cruzar informações e apoiar a tomada de decisão dos recrutadores.
O processo traz ainda mais agilidade para micro e pequenas empresas, que, muitas vezes, não possuem uma estrutura sólida de RH e podem contar com ferramentas para auxiliar no recrutamento.
Por outro lado, Patricia reforça que a adoção da inteligência artificial exige cuidados relacionados à qualidade dos dados, pensando na transparência dos critérios utilizados e na mitigação de vieses que possam impactar a diversidade e a inclusão nas contratações.
"A tecnologia deve funcionar como um apoio à tomada de decisão, e não como substituta do olhar humano. As empresas precisam garantir que os processos sejam justos e transparentes. A combinação entre inteligência artificial e análise humana tende a gerar resultados mais equilibrados e eficientes tanto para organizações quanto para candidatos”, pontua Suzuki.
Conforme a diretora, o mercado de trabalho já entrou em uma nova fase do recrutamento, exigindo que as empresas se adaptem às mudanças para ganhar eficiência sem perder a capacidade de construir conexões humanas. A tecnologia está mudando a forma de contratar, mas a confiança e o relacionamento continuam sendo fatores decisivos para o sucesso das contratações.
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