MBA Advanced e a reinvenção das escolas de negócios na era da transformação contínua
Por Maurício Jucá, diretor acadêmico da FIA Business School
FIA Business School
Não é novidade que existe uma ruptura no mundo do trabalho, mas talvez hoje ela acontece de forma simultânea, profunda e veloz. A combinação entre inteligência artificial, novas dinâmicas organizacionais e mudanças no perfil dos profissionais está redesenhando, em tempo real, o que empresas esperam de seus líderes. E, como consequência direta, está forçando uma reinvenção das escolas de negócios. O MBA, símbolo clássico da formação executiva, deixou de ser apenas um diferencial. Tornou-se um território em disputa. Durante décadas, esses programas foram estruturados como espaços de transmissão de conhecimento consolidado. Funcionavam bem em um contexto em que as mudanças eram mais previsíveis e o acúmulo de conteúdo sustentava decisões ao longo dos anos. Esse modelo começa a perder força. Hoje, o conhecimento envelhece rápido demais. Técnicas, ferramentas e até setores inteiros passam por ciclos de transformação que desafiam qualquer lógica tradicional de ensino. Nesse cenário, formar profissionais apenas com base no passado tornou-se insuficiente. É por isso que o MBA Advanced emerge não como uma evolução incremental, mas como uma resposta estrutural às novas exigências do mercado. Mais do que aprofundar conteúdos, esses programas passam a priorizar a capacidade de lidar com a incerteza. O foco deixa de ser “o que saber” e passa a ser “como pensar”. Essa mudança também dialoga com um dado importante: segundo levantamento publicado pela Forbes, do qual eu fui entrevistado, os MBAs mais renomados no Brasil podem ultrapassar a faixa de R$ 100 mil, evidenciando não apenas o nível de exigência desses programas, mas também o quanto eles são percebidos como investimento estratégico de carreira e não como simples formação acadêmica. Quando profissionais decidem fazer esse tipo de investimento, o que está em jogo não é apenas o conteúdo, mas o retorno em posicionamento, networking e capacidade de evolução. Nesse contexto, a transformação do MBA acompanha uma mudança mais ampla: o valor já não está no acesso à informação — hoje amplamente disponível —, mas na experiência de aprendizado, na curadoria e na aplicação prática. Isso se reflete diretamente na forma como os programas são estruturados: menos aulas expositivas, mais resolução de problemas reais; menos disciplinas isoladas, mais integração entre áreas; menos teoria abstrata, mais conexão com os desafios concretos das organizações. Ao mesmo tempo, a tecnologia impõe um novo filtro sobre o que realmente importa. Com a automação avançando sobre atividades analíticas e operacionais, o diferencial competitivo se desloca para competências que não podem ser facilmente replicadas por máquinas. Pensamento crítico, capacidade de síntese, visão sistêmica e liderança em ambientes ambíguos deixam de ser atributos desejáveis e passam a ser requisitos básicos. Esse movimento também ajuda a explicar por que programas de formação executiva continuam relevantes, mesmo em um ambiente saturado de cursos, conteúdos online e alternativas mais acessíveis. O profissional que busca se destacar precisa ir além da atualização técnica. Precisa desenvolver repertório, ampliar sua capacidade de decisão e construir uma visão integrada de negócios. E isso exige imersão. É justamente nesse ponto que as escolas de negócios são desafiadas a se reinventar. Aquelas que permanecerem presas a modelos rígidos, distantes do mercado e baseados exclusivamente em teoria tendem a perder relevância. Por outro lado, instituições que conseguem atuar como plataformas de desenvolvimento tendem a ganhar espaço. Na prática, isso significa rever metodologias, atualizar conteúdos em ciclos mais curtos e aproximar ainda mais o ambiente acadêmico da realidade empresarial. Mais do que formar executivos, o desafio passa a ser formar profissionais capazes de se reinventar continuamente. Essa talvez seja a principal mudança em curso. Se antes o MBA marcava um ponto de chegada, hoje ele se consolida como ponto de partida, um momento de inflexão na carreira, em que o profissional redefine não apenas o que sabe, mas como aprende, decide e lidera. A verdade incontestável é que transformação das escolas de negócios é, na verdade, um reflexo direto da transformação do próprio trabalho. E, nesse novo cenário, não basta acompanhar as mudanças. É preciso estar preparado para liderá-las.
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