Como a força feminina vem liderando o Empreendedorismo de Impacto no Brasil?

Empreendedorismo feminino cresceu 27% no Brasil na última década, segundo o Sebrae. Apenas em 2025, mulheres lideraram mais de 2 milhões de novos pequenos negócios no país

Por MARIAH FREITAS
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Foto Divulgação

Por Alcione Pereira, fundadora da Connecting Food*

O panorama do empreendedorismo de impacto no Brasil vem sendo redesenhado por um movimento inspirador: o protagonismo das mulheres. Elas assumem cada vez mais a liderança de negócios inovadores que, além de gerar lucro, visam solucionar problemas sociais e ambientais, construindo um futuro mais justo e sustentável para todos.

Para se ter uma ideia, o empreendedorismo feminino cresceu 27% no Brasil na última década, segundo o Sebrae. Apenas em 2025, mulheres lideraram mais de 2 milhões de novos pequenos negócios no país, representando 42% das empresas abertas no período. Levando a discussão para os negócios de impacto social e ambiental, mais da metade (52%) dos negócios liderados por mulheres estão em setores de impacto social e ambiental, como educação, saúde, sustentabilidade e desenvolvimento social. Isso significa que, além de prosperar, essas empresas estão gerando transformações positivas na vida das pessoas e no planeta.

Quando falamos em perfil, as mulheres que lideram negócios de impacto no Brasil são majoritariamente jovens, com idade média de 35 anos, e possuem alto nível de qualificação, com ensino superior completo. Dentre os fatores que impulsionam o avanço feminino nas últimas décadas, podemos destacar o acesso à educação e à informação qualificada, que tem empoderado as mulheres, permitindo que desenvolvam as habilidades e conhecimentos necessários para empreender. 

Além disso, diversas iniciativas públicas e privadas, como programas de mentoria, incubadoras e aceleradoras, oferecem suporte e orientação para aquelas que desejam abrir ou expandir seus negócios. E, claro, também a crescente demanda por produtos e serviços que geram impacto positivo na sociedade e no meio ambiente abre um leque de oportunidades para as mulheres empreendedoras.

Mas, apesar das conquistas e avanços, sabemos que existem ainda muitos desafios. As mulheres continuam enfrentando obstáculos como a disparidade salarial e a dificuldade de acesso ao crédito, o que limita seu potencial de crescimento. A baixa representatividade feminina nos cargos de liderança e a dificuldade em se quebrar certos paradigmas profissionais são outros fatores que impedem uma maior igualdade de gênero nesse sentido.

De qualquer forma, as perspectivas são muito promissoras para as mulheres brasileiras. Espera-se que o número de empresas lideradas por elas continue crescendo nos próximos anos, impulsionado por sua capacidade de inovar, gerar impacto positivo e liderar com empatia e colaboração.

Mesmo em meio a um cenário desafiador para a liderança feminina, as mulheres estão liderando a construção de um futuro mais justo, sustentável e próspero para todos. Para que esse movimento continue a crescer, é fundamental superar os desafios que persistem e investir no potencial das mulheres empreendedoras.

Sobre Alcione Pereira:

Alcione Pereira é fundadora da Connecting Food, a primeira foodtech brasileira de impacto social especializada na gestão inteligente da doação de alimentos excedentes. Engenheira de Alimentos, mestre em Sustentabilidade e com MBA em Gestão Empresarial, atua no desenvolvimento de soluções para o combate ao desperdício de alimentos e à fome no Brasil.À frente da Connecting Food, lidera uma operação que já contribuiu para complementar mais de 33 milhões de refeições, com atuação em mais de 320 cidades brasileiras. É co-idealizadora da Rede Save Food Brasil, cofundadora do Pacto Contra a Fome e do Movimento Todos à Mesa. A Connecting Food também atua como parceira técnica da WWF e da WRAP na implantação da metodologia Target-Measure-Act (TMA) no Brasil, além de contribuir com projetos de redistribuição de alimentos em parceria com a FAO/ONU e com a construção da estratégia brasileira de redução de perdas e desperdício de alimentos em articulação com o Ministério do Desenvolvimento Social do Brasil.


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