Programa de resiliência em cibersegurança prepara profissionais e executivos para ataques reais
Iniciativa Spartacus quer transformar a região em um polo nacional de capacitação em segurança digital, com treinamentos táticos para analistas e simulações estratégicas para lideranças empresariais
WOMCY
O avanço dos ataques cibernéticos deixou de ser apenas uma preocupação das áreas técnicas e passou a ocupar espaço nas mesas de decisão das empresas. Em um cenário em que bancos, hospitais, indústrias e infraestruturas críticas convivem diariamente com ameaças digitais, o Parque Tecnológico de Santo André e o Parque Tecnológico de São Caetano decidiram transformar o ABC Paulista em um novo centro de formação prática em cibersegurança.
A iniciativa ganhou forma com o lançamento do Spartacus, um programa de resiliência cibernética e treinamento voltado para profissionais técnicos e executivos, criado para democratizar o acesso a exercícios de simulação antes restritos a grandes corporações. Para potencializar essa experiência, o Spartacus uniu forças com a startup request.coffee, transformando a dinâmica tradicional de treinamento em um ambiente de alta performance e colaboração. Por meio desta integração, o programa garante que o aprendizado técnico e o networking executivo ocorram de forma fluida e integrada, rompendo as barreiras formais dos ambientes corporativos convencionais.
Segundo Anderson Carvalho, Executivo em cibersegurança, a inspiração veio da participação em um programa anual de treinamento cibernético realizado em Brasília, o Exercício Guardião Cibernético. “Quando conheci a ferramenta e a metodologia, percebi que fazia sentido trazer meu time para esse tipo de exercício todos os anos. Mas também entendi que aquilo ainda era muito restrito. Então pensamos por que não democratizar esse acesso e criar algo acessível para mais empresas e profissionais?”, explica.
A proposta rapidamente ganhou apoio dos parques tecnológicos da região e das secretarias ligadas à inovação e tecnologia. “Os parques tecnológicos aceitaram o desafio porque existe um objetivo claro de transformar o ABC em um grande polo de cibersegurança do país”, afirma Carvalho.
Simulações de ataques e tomada de decisão em tempo real
O programa foi estruturado em dois formatos distintos. O primeiro é voltado para profissionais técnicos, com exercícios táticos em ambientes simulados que reproduzem ataques reais contra bancos, indústrias e empresas.
Nos laboratórios, os participantes precisam agir em tempo real para identificar invasões, impedir criptografia de arquivos e responder rapidamente a incidentes. “Existem exercícios em que o ataque acontece em cinco minutos. O hacker invade, criptografa arquivos e, se o analista não agir rapidamente, ele perde o jogo. O objetivo é ensinar o pensamento tático e preparar o profissional para situações reais”, detalha.
Já a segunda frente é direcionada ao público executivo, especialmente lideranças C-Level. Nesse formato, o foco deixa de ser o aspecto operacional e passa a ser a tomada de decisão em cenários de crise.
O treinamento simula situações em que empresas descobrem ataques pela imprensa ou por terceiros antes mesmo do alerta interno chegar à liderança.
“Uma empresa não pode descobrir um ataque pela internet ou pelo jornalista. O executivo precisa saber primeiro pelo time interno. Então treinamos essas lideranças para tomar decisões rápidas e entender as consequências de cada caminho escolhido”, afirma Carvalho.
Programa quer criar cultura contínua de preparação
A expectativa da primeira edição é reunir cerca de 40 participantes nos treinamentos técnicos e entre 20 e 30 executivos nas atividades voltadas à liderança.
Porém, o objetivo vai além de um evento pontual. Ao final dos exercícios, os participantes recebem avaliações individuais indicando pontos fortes e áreas que precisam ser desenvolvidas. O programa continua aberto posteriormente para que os profissionais sigam treinando continuamente e desenvolvendo suas habilidades.
“A ideia não é dizer que alguém é ruim. É mostrar onde ele é forte e onde precisa evoluir. O melhor time não é o mais equipado. É o mais treinado”, reforça Carvalho.
A lógica é semelhante à preparação de grandes equipes esportivas ou militares: criar familiaridade com cenários críticos antes que eles aconteçam no mundo real. “Quando o incidente acontece, o profissional não entra em pânico porque já viu algo parecido antes. Ele sabe qual caminho seguir”, reforça.
Copa do Mundo de 2026 aumenta alerta para ciberataques
Um dos fatores que acelerou a criação do programa é a preocupação crescente com o aumento de ataques em grandes eventos globais, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2026.
A expectativa é que setores estratégicos estejam entre os principais alvos. “Queremos deixar um recado para o Brasil inteiro: agora existe um lugar onde as equipes podem treinar de verdade antes do grande jogo”, afirma Carvalho.
Ecossistema de parceiros fortalece iniciativa
O Spartacus também nasce apoiado por empresas e comunidades ligadas ao ecossistema de tecnologia e segurança.
Entre os patrocinadores está a F9C Security, escolhida pela proximidade com comunidades técnicas e iniciativas voltadas à inclusão e formação profissional no setor, além de atuar com grandes clientes, bancos e infraestruturas críticas.
A WOMCY também está no projeto, pois há um grupo dedicado ao treinamento para mulheres técnicas e executivas de cibersegurança, sendo uma parceira estratégica para que a iniciativa aconteça.
O Parque Tecnológico atua como parceiro institucional e de infraestrutura, enquanto grupos e comunidades técnicas ajudam na divulgação do programa em fóruns especializados, grupos executivos e redes voltadas à tecnologia, liderança e inclusão feminina no setor.
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