Telecom acelera na digitalização mas ainda esbarra em gargalos estruturais
Com mais interações distribuídas entre canais, empresas enfrentam dificuldades para garantir consistência ao longo da jornada do cliente
Gabriel Capra, Diretor de dados na Actionline
O setor de telecomunicações vive um momento de transformação acelerada, impulsionado pela expansão dos sistemas digitais e pelo uso crescente de inteligência artificial nas operações. Em um momento em que o segmento ganha destaque no dia das Telecomunicações, celebrado em 5 de abril, esse cenário se torna ainda mais evidente.
Hoje, a relação com o consumidor dificilmente acontece em um único canal. Ela se distribui entre aplicativos, plataformas digitais, fluxos automatizados e atendimento humano. Esse modelo, que amplia conveniência e acesso, também exige um nível de coordenação muito mais sofisticado entre áreas, sistemas e processos.
Na prática, essa integração nem sempre acompanha o ritmo das mudanças.
O impacto aparece tanto na operação quanto na percepção do público. Informações que não circulam de forma consistente, interações que recomeçam a cada novo contato e entraves na resolução de demandas continuam sendo recorrentes. Não por ausência de tecnologia, mas por limitações na forma como ela é estruturada dentro das empresas.
Esse cenário ganha ainda mais relevância diante do avanço da inteligência artificial nas companhias. De acordo com o relatório IBM Global AI Adoption Index 2023, divulgado em 2024, 42% das organizações já utilizam inteligência artificial de forma ativa em suas operações, enquanto outras 40% ainda estão em fase de exploração ou testes. O dado reforça que o desafio atual não está mais na incorporação da tecnologia, mas na capacidade de operá-la de forma sustentável.
Outro indicador relevante vem da Anatel, que aponta que o Brasil ultrapassou a marca de 52 milhões de acessos de banda larga fixa, refletindo o aumento da demanda por conectividade e serviços digitais. Esse crescimento amplia a pressão sobre as operações e torna ainda mais crítica a necessidade de coordenação.
Isso envolve alinhar áreas que historicamente atuaram de forma isolada, revisar fluxos sob a perspectiva do usuário e estabelecer mecanismos claros de governança sobre processos automatizados. Ao mesmo tempo, a transformação em curso também redefine o papel das equipes. Com a redução de tarefas repetitivas, cresce a demanda por profissionais com visão analítica e capacidade de atuação mais estratégica, o que exige investimento em capacitação e adaptação cultural.
A área de telecomunicações sempre esteve na linha de frente da inovação. Agora, o desafio se desloca para dentro das empresas. Mais do que ampliar o uso de tecnologia, será fundamental garantir que ela funcione de forma alinhada. Em um ambiente cada vez mais conectado, a eficiência não depende apenas das ferramentas adotadas, mas da capacidade de integrar processos, pessoas e estratégia em uma operação consistente.
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