Presente na rotina de milhões de brasileiros, o café vai muito além de um simples hábito cultural. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café mostram que o país está entre os maiores consumidores da bebida no mundo e a ciência tem avançado para entender seus impactos na saúde.
“O café é uma bebida complexa do ponto de vista nutricional. Além da cafeína, concentra compostos fenólicos, como os ácidos clorogênicos, que têm ação antioxidante e anti-inflamatória. Esses compostos estão associados à melhora da sensibilidade à insulina, à modulação da glicemia e à redução do estresse oxidativo, fatores diretamente ligados à prevenção de doenças metabólicas e cardiovasculares”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, Fellow da Obesity Society (USA) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), que lista as demais vantagens da bebida.
6 benefícios do café comprovados pela ciência
- Melhora do estado de alerta e desempenho cognitivo
A cafeína atua no sistema nervoso central, reduzindo a sensação de fadiga e aumentando o foco e a concentração.
- Ação antioxidante
É uma das principais fontes de antioxidantes da dieta moderna, ajudando a combater o estresse oxidativo, ligado ao envelhecimento celular e a doenças crônicas.
- Dá um reforço à memória
A cafeína pode contribuir para a consolidação da memória, colaborando na retenção de informações após o aprendizado. Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience mostrou que o consumo da substância esteve associado ao melhor desempenho em testes de memória no dia seguinte, embora o efeito varie conforme a dose e características individuais.
- Auxílio no metabolismo e controle de peso
A cafeína pode aumentar temporariamente o gasto energético e favorecer a queima de gordura.
- Proteção cardiovascular (em consumo moderado)
Estudos, como UK Biobank (publicado no European Journal of Preventive Cardiology, 2022), indicam que até 3 a 4 xícaras por dia podem estar associadas ao menor risco de doenças cardiovasculares em pessoas saudáveis.
- Melhora do humor
O consumo de café está ligado à liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, relacionados à sensação de bem-estar.
Os riscos do excesso
A dose considerada segura para adultos saudáveis gira em torno de até 400 mg de cafeína por dia (cerca de 3 a 4 xícaras de café coado).
O exagero pode trazer efeitos negativos, tais como:
- Insônia e piora da qualidade do sono
- Ansiedade e irritabilidade
- Taquicardia e aumento da pressão arterial
- Problemas gastrointestinais, como refluxo
- Dependência leve (abstinência com dor de cabeça e irritação)
Quem deve ter cautela ou evitar
Nem todo mundo responde da mesma forma à cafeína. Alguns grupos exigem atenção, como gestantes (limite reduzido a até 200 mg/dia), pessoas com ansiedade ou síndrome do pânico, hipertensos não controlados, portadores de arritmias cardíacas, indivíduos com gastrite ou refluxo intenso e quem sofre com insônia crônica. “Nesses casos, a ingesta deve ser individualizada. Há pacientes que apresentam sensibilidade maior à cafeína, mesmo em pequenas quantidades”, alerta o médico.
Dicas práticas para um consumo mais saudável
- Evite café após às18h para não prejudicar o sono
- Prefira tomar sem açúcar ou com pouco açúcar
- Não consuma em jejum, especialmente se tiver sensibilidade gástrica
- Hidrate-se bem, pois o café não substitui água
- Evite combinar com energéticos, para não ter sobrecarga de cafeína
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ANDREA ROSA SIMOES
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