O cenário do design no Brasil em 2025 está sendo fortemente redefinido pela urgência da acessibilidade digital e gráfica. Assim, a WebAIM (Acessibilidade na Web em Mente) conduziu, em 2025, uma avaliação inédita de 1 milhão de sites globais que revelou dados essenciais sobre a persistente falta de acessibilidade na internet, reforçando que, apesar dos avanços regulatórios, a implementação prática do Design Inclusivo ainda está em defasagem. Essa realidade mostra que a criação de peças gráficas acessíveis não é apenas uma obrigação ética ou legal, mas uma tendência de mercado que garante que o conteúdo seja consumível por toda a população.
Para Thiago Leon Marti, Head de Branding, Design e Comunicação da Printi, gráfica que faz parte do Grupo Cimpress e é referência global em média e baixa tiragem, o design inclusivo tem o objetivo de eliminar barreiras. “A acessibilidade traz benefícios não somente para pessoas com deficiência, mas para todos os usuários. Sendo assim, ele se baseia no princípio de que a informação deve ser perceptível, compreensível e operável por todos”, explica.
Portanto, para atender às novas exigências de mercado e regulatórias, o designer precisa adotar técnicas específicas, como trabalhar com o alto contraste das cores adequado entre o fundo de uma imagem e o texto. Isso facilita a leitura e não prejudica pessoas com baixa visão ou daltonismo. Assim, é preciso utilizar ferramentas de verificação para atender aos níveis de conformidade estabelecidos pela WCAG. “Fazer o uso das cores como o único meio de transmitir as informações é um erro. Dessa forma, outras alternativas são textos, padrões ou ícones para deixar a mensagem do produto mais clara. Também é essencial tomar cuidado com letras brancas em fundo escuro, já que, apesar de parecerem legíveis, podem causar desconforto visual”, acrescenta o executivo.
Fontes rebuscadas e muito decorativas tornam a leitura mais difícil, sendo indicado utilizar as mais simples e sem serifa. “O tamanho também deve ser levado em consideração, embora isso varie de acordo com a configuração da letra. Portanto, aplicar a hierarquia visual clara – com pesos, alinhamentos e espaçamentos (entre linhas e parágrafos) diferentes – dá mais fluidez visual para o texto e ajuda na compreensão da importância das informações. Além disso, se faz mandatório o uso de textos alternativos concisos e descritivos em imagens e gráficos”, adiciona Thiago.
Para deixar o design ainda mais acessível, as peças digitais devem ser projetadas para se ajustarem a diferentes tamanhos de telas, permitindo que o usuário controle a visualização. “Garantir que a forma se adapte ao dispositivo utilizado facilita o entendimento do conteúdo por todas as pessoas, incluindo as com deficiência, que normalmente possuem um aparelho específico. Além disso, oferecer outras maneiras de interagir com essas informações – como teclado, uso de voz e de clique – engloba a todos”, indica o especialista.
Outro ponto são as tecnologias que ampliam as possibilidades de acessibilidade no material impresso. Entre elas está a Scodix, máquina de hot stamping digital que permite aplicar acabamentos em alto-relevo com precisão, possibilitando inclusive simulações táteis semelhantes às do braile.
Atualmente, a inteligência artificial e as experiências imersivas são as grandes tendências de design para 2026. “A acessibilidade digital e impressa no mercado gráfico se consolida como o fator de ética e funcionalidade que destaca e diferencia marcas. Investir em design centrado na acessibilidade não só cumpre as regulamentações em vigor, como a LBI (Lei Brasileira de Inclusão), mas também amplia o alcance e fortalece a percepção da empresa como socialmente responsável e inovadora”, finaliza Marti.
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Gabriela Calencautcy
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