Imóveis de temporada podem alcançar até 70% mais rentabilidade com decoração assinada por arquitetos

Crescente busca por hospedagens diferenciadas impulsiona investimentos em projetos profissionais; arquiteta Carolina Oliveira mostra como design estratégico eleva diárias, ocupação e valorização patrimonial.

Por THAMIRIS DE SOUZA
5 Min

Imóveis de temporada podem alcançar até 70% mais rentabilidade com decoração assinada por arquitetos
Divulgação

A locação por temporada segue em ritmo acelerado no Brasil e, junto a esse crescimento, uma mudança clara no comportamento dos proprietários: investir em projetos de arquitetura e interiores como estratégia de valorização e rentabilidade. De acordo com análises recorrentes do setor de hospitalidade, imóveis com decoração assinada podem alcançar ganhos de até 70% na performance financeira, impulsionados por diárias mais altas, maior taxa de ocupação e avaliações superiores nas plataformas digitais.

À frente do escritório Carolina Oliveira Arquitetura e Interiores, a arquiteta Carolina Oliveira destaca que o design deixou de ser um item estético para se tornar um diferencial competitivo real. “O hóspede atual não quer apenas um lugar para dormir, ele busca experiência, conforto e sensação de pertencimento. Um projeto bem estruturado faz o imóvel se destacar nas plataformas, aumenta o desejo e impacta diretamente no número de reservas”, afirma.

Um exemplo concreto desse movimento é um apartamento studio de 45,98 m², com 1 suíte, lavabo e 1 vaga de garagem, localizado no bairro Itaguá, em Ubatuba (SP). Inserido em um edifício com área comum de lazer completa — cobertura com piscina, academia, salão de jogos e dois espaços gourmet com churrasqueira e forno de pizza, entregues mobiliados — o imóvel passou por um projeto completo de arquitetura e interiores com foco em locação por temporada.

Segundo Carolina, o principal desafio era transformar um espaço compacto em um ambiente funcional, atrativo e alinhado ao perfil do turista da cidade. “Cada centímetro precisou ser pensado com estratégia. Em studios, erros de layout comprometem totalmente a experiência do usuário. Nosso objetivo foi unir conforto, praticidade e identidade, evitando soluções genéricas”, explica.

Para o proprietário, Rogério Vicente Racy, a decisão foi motivada pela busca por diferenciação e retorno financeiro. “Eu não queria apenas decorar o apartamento, mas criar uma experiência para quem se hospedasse ali. Hoje, da forma como o imóvel está mobiliado e decorado, não vendo por menos de R$ 580 mil. No mesmo prédio, há unidades entre R$ 450 mil e R$ 470 mil, entregues pela construtora ou com poucos planejados”, afirma.

Os números comprovam o impacto do projeto profissional na operação do imóvel. Fora da alta temporada, a diária média de studios sem assinatura profissional na região gira entre R$ 300 e R$ 350. Já o imóvel assinado alcança valores entre R$ 450 e R$ 550. A taxa de ocupação anual também apresenta salto expressivo: de 45% a 55% em imóveis padrão para 65% a 80% em unidades com projeto arquitetônico.

Na prática, isso representa uma receita mensal média de R$ 3.500 a R$ 4.800 sem projeto profissional, contra R$ 7.000 a R$ 9.500 com decoração assinada — valores que praticamente dobram em feriados prolongados e períodos de alta temporada.

“A decoração assinada impacta diretamente três pilares das plataformas como Airbnb e Booking: a primeira impressão das fotos, a percepção de qualidade que permite cobrar mais pela diária e as avaliações pós-estadia. Ambientes bem planejados reduzem reclamações, aumentam o conforto e geram notas acima de 4,8, o que favorece o algoritmo e amplia a visibilidade”, explica Carolina.

Além da rentabilidade na locação, o imóvel também se destaca pela valorização patrimonial. Em Ubatuba, a valorização média de imóveis adquiridos na planta gira em torno de 40%. Com um projeto profissional de interiores, esse índice pode chegar a aproximadamente 55%, representando um ganho adicional de cerca de 15% em comparação a unidades sem assinatura arquitetônica.

“O retorno financeiro do investimento em arquitetura e interiores costuma acontecer entre 12 e 18 meses. O projeto se paga, tanto na valorização quanto na geração de renda recorrente”, reforça a arquiteta.

Para Rogério, o processo também surpreendeu pela eficiência da gestão. “Tivemos previsibilidade de custos, pouco desperdício, obra mais rápida e um resultado final acima das expectativas. Isso fica muito claro nas fotos do anúncio e nas avaliações dos hóspedes. Hoje, tenho a certeza de que o projeto se paga sozinho”, conclui.

Com a profissionalização acelerada do mercado de locações de curta duração, a tendência é que projetos personalizados se tornem cada vez mais decisivos. “Decoração não é custo. É investimento estratégico que eleva o imóvel para outro patamar de competitividade”, finaliza Carolina Oliveira.



 

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