Desde os 13, 14 anos, a mineira Juliana Carvalho, 27, a Jú, seguiu os passos de sua família 'de marombeiros', conforme diz, divertida, e tomou gosto por esse estilo de vida dos pais, chegando a participar de competições como fisiculturista. A experiência com um treinador que levou-a a fazer dietas malucas, e depois com outro que ajudou-a a mudar sua mentalidade em relação à comida, ajudaram a influenciar suas escolhas futuras.
Mas foi na faculdade de Educação Física, quando percebeu que poderia ser uma atleta de fisiculturismo mesmo comendo de tudo, que teve o insight: poderia ensinar outras pessoas a terem apenas um corpo legal e saudável mesmo não sendo 'da maromba'.
“Foi aí que me despertou a vontade de estudar Nutrição”, conta a mineira da pequena Manhuaçú que, na academia que abriu junto com a irmã, e o companheiro, passou a criar planos de dieta 'alcançáveis e sem frescura', que em pouco tempo se tornariam um sucesso. E mais ainda: se tornariam escaláveis – e fariam ainda mais sucesso, e atrairiam ainda mais pessoas, com a ajuda da escola de negócios Nutrição sem Fronteiras.
O gosto por 'dar pitaco' na dieta de todo mundo, conta, fez com que ela se encontrasse em um novo propósito. “Virei uma 'viciada em nutrição', e tinha que certeza que era aquilo que eu queria: me tornar uma nutricionista 'das boas' para o resto da minha vida.”
Desde quando cursava a faculdade de Nutrição, e mesmo formada em Educação Física e atuando na área, passou a produzir conteúdos sobre o tema e sobre sua rotina para as redes sociais, conquistando mais de 300 mil seguidores. Ao se formar em dezembro de 2021, o negócio já prometia que ia deslanchar: desde novembro já tinha um consultório montado. E uma agenda de pacientes completa pelos próximos quatro meses.
“Não queria ser aqueles nutricionistas-padrão com uma mesinha, duas cadeiras e que fazem dieta de qualquer jeito: eu queria ser diferente de todo mundo”, conta. “Não tinha dinheiro, e pedi para o meu pai pegar cerca de R$ 150 mil no banco, pois eu tinha certeza que o negócio ia dar certo e eu ia pagá-lo direitinho nos meses seguintes.”
E deu mesmo: passou a atender em um consultório bonito, “do jeito que eu queria”, com uma experiência diferenciada e valor um pouco acima dos nutricionistas da região. “Fiquei a graduação toda postando sobre Nutrição, e quando me formei todo mundo vinha me procurar”, conta ela, que fez tanto sucesso que passou a trabalhar até 12 horas por dia para dar conta de tanta procura, tanto em atendimento nutricional como em consultoria.
Enquanto Ju cuidava da parte de dietas, o companheiro (professor de Educação Física) cuidava dos planos de treinos. Com cerca de 200 pacientes, e cobrando valores três vezes acima do mercado, ambos trabalhavam sem parar, e não tinham mais para onde crescer nem davam conta de trabalhar mais horas, mesmo com a alta procura pelos pacientes.
“Eu atendia também on-line, a gente vendia o plano normal, montava o cardápio de dieta, montava o treino, dava o suporte, fazia de tudo. Mas não era estruturado, não tinha processos, nem estratégias para manter os pacientes por mais tempo e poder fazer um acompanhamento melhor”, conta. Foi quando decidiu procurar a Nutrição sem Fronteiras.
Divisor de águas
Mesmo faturando cerca de R$ 40 mil, R$ 50 mil por mês, Juliana conta que, além de não dar conta da demanda, não tinha mais tempo de fazer nada, nem tinha mais a disciplina de antes. Não conseguia nem treinar mais. “Atendia em média 10 pacientes por dia, sozinha. Cheguei em um nível em que, ou fechava o consultório, ou ia surtar”, lembra.
Foi por meio de outros nutricionistas que seguia nas redes sociais que ouviu falar da Nutrição Sem Fronteiras, e decidiu participar do summit para receber programa de aceleração: não estava mais aguentando aquele ritmo, e precisava de ajuda profissional para conseguir um novo direcionamento.
E conseguiu. Após receber orientação, conforme diz, passou a promover diversos 'desafios' on-line, com condições de pagamento especiais ou descontos para atrair novos pacientes de um jeito mais estruturado. Aprendeu a desapegar do seu perfeccionismo, e também a contratar, algo no qual não tinha muita habilidade, para formar e ampliar sua equipe.
Já no primeiro mês, em maio de 2024, Jú desenvolveu a consultoria nutricional 'Sarada comendo de tudo', hoje seu principal produto. O número de pacientes subiu para 400 naquele período, e o faturamento chegou a R$ 90 mil. Em julho, com as novas estratégias, o faturamento bateu nos R$ 170 mil. Teve até ação na Black Friday
“Quase não conseguimos dar conta por causa de equipe, mas trouxemos mais pessoas para a consultoria e procuramos trabalhar muito bem para fidelizar esses pacientes que já estavam, para não entregar dieta e abandonar”, conta ela, que hoje atende 10 a 15 pacientes, os mais antigos, até três vezes na semana. “Agora eu trabalho por hobby.”
Com 1,5 mil pacientes ativos hoje, Jú Carvalho explica que, entre erros e acertos, o negócio finalmente se estruturou de forma profissional. Sua equipe hoje conta com 15 pessoas, que contatam os pacientes pelo menos duas a três vezes por semana, e a taxa de renovação de 90% - o que é muito bom para uma consultoria que é escalável, afirma.
Sua agenda presencial está fechada para consultas há mais de um ano, então não entra ninguém novo, explica. “E não temos feito nenhuma estratégia para trazer muita gente de uma vez no momento, porque estamos focando realmente na entrega do produto”, diz ela, que conta que o faturamento médio da empresa subiu para R$ 200 mil mensais, com picos de R$ 350 mil. Hoje, a @nutrijúcarvalho já conta com mais de 650 mil seguidores.
“A gente conseguiu realmente estruturar uma empresa, tem hora que eu até sinto falta do antigo caos”, brinca. “O que eu planejava no início consegui superar em 20 vezes, mas eu não teria conseguido isso se fosse sozinha, porque eu não tinha visão sobre nada.Tudo foi acontecendo do jeito que tinha que acontecer, não foi nada que tive que gastar uma grana para conseguir: o que realmente fez a diferença foi investir nessa mentoria.”
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KAMILA BATISTA GARCIA
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