Saúde mental e multigeracionalidade no trabalho: como empresas se antecipam às novas exigências da NR-1
Atualização da norma trabalhista coloca em foco a prevenção de riscos psicossociais e a convivência entre diferentes gerações; organizações já adotam práticas estruturadas que unem escuta ativa, bem-estar e cultura colaborativa
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Em meio a um mercado de trabalho em transformação, duas tendências vêm moldando as relações corporativas no Brasil: a entrada massiva da geração Z, jovens profissionais nascidos entre 1995 e 2010, e a permanência ou retorno cada vez mais frequente de profissionais com mais de 50 anos de idade. Em paralelo, o país encara uma importante mudança regulatória: a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que exige das empresas a identificação, gestão e prevenção de riscos psicossociais, com fiscalização prevista para o ano seguinte.
Nesse cenário, algumas empresas já se destacam por incorporar essas diretrizes muito antes da obrigatoriedade legal. É o caso da Construtora Equilíbrio, com sede em Curitiba (PR), que há mais de 10 anos adota práticas voltadas à saúde emocional, escuta ativa e convivência saudável entre diferentes gerações no ambiente corporativo. “Temos profissionais entre 20 e 65 anos atuando juntos em projetos importantes. Isso exige mais do que boa gestão: exige respeito mútuo, abertura ao diálogo e ações concretas para que ninguém se sinta deslocado ou sobrecarregado”, explica Raquel Zampier, gerente de Gestão de Talentos da empresa.
A NR-1, que começou a vigorar em maio deste ano, determina que as empresas passem a identificar e documentar riscos psicossociais, como assédio moral, pressão excessiva, metas abusivas e conflitos interpessoais, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Além disso, será obrigatório implementar ações preventivas, oferecer treinamentos específicos e envolver todos os níveis da organização na criação de um ambiente emocionalmente saudável.
Na prática, a Equilíbrio já cumpre essas exigências. A empresa mantém, há 12 anos, o acompanhamento psicológico interno com uma profissional dedicada exclusivamente ao bem-estar dos colaboradores. Rotinas como pausas de descompressão de 10 minutos pela manhã e à tarde, jornada semanal de 42 horas (abaixo da média nacional), espaços com redes, puffs, vegetação e jogos, além de incentivo a atividades físicas como vôlei, futebol e corridas de rua fazem parte da cultura da organização. “A saúde emocional sempre foi uma pauta estratégica para nós. Antes mesmo de qualquer exigência legal, entendemos que um ambiente equilibrado, humano e acolhedor é o que sustenta o crescimento de longo prazo”, afirma Anna Paula Araujo, diretora de Incorporação da empresa.
A convivência entre diferentes gerações é um dos pilares dessa abordagem. A Equilíbrio conta com um time multigeracional, que vai desde estagiários da geração Z até colaboradores seniores com décadas de experiência. Para mediar essa diversidade, são promovidos programas de mentoria, coaching e reuniões periódicas de feedback, criando espaços seguros para troca de ideias e aprendizados mútuos. “Os mais jovens trazem frescor, ousadia, novas tecnologias. Os mais experientes oferecem visão estratégica, paciência e repertório. Não é uma questão de ‘conflito geracional’, mas de complementaridade. É assim que a gente aprende e cresce junto”, reforça Zampier.
Essa convivência ativa é cuidadosamente estimulada nos pequenos detalhes do dia a dia, segundo a gestão da empresa. A liderança é treinada para identificar sinais de estresse, insatisfação ou isolamento, e os próprios colaboradores são convidados a participar da construção do clima organizacional, o que gera mais pertencimento e engajamento. “Nosso modelo de gestão está fundamentado em confiança, escuta ativa e prevenção. Isso nos ajuda a manter equipes saudáveis, produtivas e alinhadas aos valores da empresa e, agora, também nos coloca à frente do que será exigido pela nova NR-1”, observa Araujo.
Especialistas apontam que o período até 2026 será decisivo para a construção de uma nova cultura organizacional no país, com foco mais amplo na sustentabilidade emocional e na prevenção ativa de conflitos. O Ministério do Trabalho e Emprego já declarou que o primeiro ano será educativo, mas a documentação e reavaliação constante das práticas passarão a ser exigidas e auditadas.
Em meio a esse cenário, organizações que já cultivam rotinas de bem-estar, escuta e diálogo intergeracional despontam como referências, não apenas por estarem alinhadas às novas diretrizes, mas por compreenderem que saúde mental não é um projeto ou benefício, e sim uma forma de gestão.
Com mais de 50 anos de atuação no mercado imobiliário paranaense, a Construtora Equilíbrio já entregou 2.196 unidades em 25 empreendimentos e é reconhecida por iniciativas voltadas ao bem-estar também nos imóveis que projeta. O selo “Ser e Morar”, presente em seus residenciais, é certificado pelo programa “Mentes Saudáveis, Lares Felizes”, do psiquiatra Augusto Cury, e busca integrar saúde emocional, espaços de convivência e qualidade de vida no morar.
Alinhada à uma gestão moderna, humanizada e sintonizada com os desafios do presente e as exigências do futuro, a empresa busca manter coerência entre discurso e prática, valorizando tanto o potencial dos jovens quanto a experiência dos veteranos, e promovendo políticas que respeitam os limites emocionais de seus colaboradores, seja nos canteiros de obra ou nas salas de reunião.
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