Férias de meio de ano: uma oportunidade para fortalecer vínculos e promover o bem-estar emocional de crianças e adolescentes
A psicóloga Dra. Cristiane Pertusi orienta pais e responsáveis sobre a importância de estabelecer limites saudáveis para o uso das telas sem abrir mão do lazer e do desenvolvimento emocional.
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As férias escolares, crianças e adolescentes, representam uma pausa na rotina, mais tempo para descansar, brincar e simplesmente viver o tempo de forma mais leve. Para muitos pais e responsáveis, porém, esse período também desperta dúvidas: como equilibrar o uso das telas? Como manter uma rotina saudável sem transformar as férias em uma sequência de regras? Como estimular a convivência quando o celular parece disputar a atenção o tempo todo?
A verdade é que as férias não precisam ser preenchidas com atividades o tempo inteiro. O descanso, o tédio criativo e os momentos em família também são fundamentais para o desenvolvimento emocional. Mais do que controlar cada minuto do dia, vale olhar para esse período como uma oportunidade de fortalecer vínculos e criar experiências que ficarão na memória.
"As telas, naturalmente, fazem parte da vida de crianças e adolescentes. O problema não está na tecnologia em si, mas quando ela passa a ocupar todo o espaço destinado ao brincar, ao movimento, às conversas e às relações presenciais. O cérebro em desenvolvimento precisa de diversidade de estímulos para aprender a lidar com emoções, desenvolver criatividade e construir habilidades sociais” afirma Dra. Cristiane Pertusi.
O mais importante é que os adultos sejam referências. Crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Se a família consegue criar momentos de conexão genuína, ainda que simples, o impacto costuma ser muito maior do que qualquer regra isolada.
Quatro atitudes simples para colocar em prática durante as férias1. Criem momentos sem telas para toda a família
Em vez de estabelecer a regra apenas para os filhos, proponha períodos em que todos deixem celulares e tablets de lado. Uma refeição, uma caminhada, um jogo de cartas ou uma conversa no fim do dia podem se transformar em pequenos rituais de conexão.
2. Incentive encontros presenciais e experiências compartilhadas
As amizades também precisam ser vividas fora das redes sociais. Convide os filhos a encontrarem amigos, visitarem familiares, brincarem ao ar livre ou participarem de atividades culturais. O convívio presencial fortalece habilidades como empatia, comunicação e resolução de conflitos.
3. Preserve uma rotina flexível, mas organizada
Férias não significam ausência completa de horários. Manter uma regularidade para dormir, acordar, fazer refeições e reservar momentos de lazer ajuda a preservar o equilíbrio emocional e facilita o retorno às aulas.
4. Valorize o tempo de qualidade, não a quantidade
Nem sempre é possível passar o dia inteiro com os filhos. Ainda assim, alguns minutos de atenção plena fazem diferença. Ouvir sem interrupções, brincar, cozinhar juntos ou simplesmente conversar sobre como foi o dia fortalece o vínculo afetivo e transmite segurança emocional.
As férias passam rápido, mas as experiências vividas nesse período permanecem. Quando crianças e adolescentes se sentem acolhidos, escutados e têm espaço para brincar, explorar e conviver, desenvolvem recursos importantes para lidar com desafios presentes e futuros.
Mais do que buscar férias perfeitas, vale construir dias possíveis, leves e cheios de presença. Afinal, são justamente os momentos simples, vividos com afeto, que costumam se transformar nas melhores lembranças da infância.
Sobre Dra. Cristiane Pertusi
Cristiane Pertusi é Presidente da ABRATEF – Associação Brasileira de Terapia Familiar. Doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP.Mestre em Psicologia PUCRS, Especialista em Abordagem Sistêmica pela UNIFESP. Certificada como coach qualificada pela ASTD –The American Society for Training and Development, para ministrar "Coaching Certificate Program". Consultora, Psicóloga e Professora Universitária. É qualificada pela Fellipelli Instrumentos de Diagnóstico e Desenvolvimento Organizacional para aplicar o Indicador de Preferências Psicológicas - Instrumento MBTI (Myers Briggs Type Indicator).
Dra. Cristiane Pertusi (CRP 06/54382)
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