Cálculo renal atinge um em cada dez brasileiros

O cálculo renal pode ser constituído de substâncias como cálcio, oxalato, fosfato ou ácido úrico

Por LUISA PEREIRA
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Foto: Towfiqu barbhuiya/Pexels

 

Uma em cada dez pessoas no Brasil sofre de cálculo renal, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A condição afeta cerca de 12% da população em algum momento da vida. E, se medidas preventivas não forem adotadas, a chance de ter novos cálculos é de aproximadamente 30%, por isso, a indicação é que se procure um urologista aos primeiros sinais. 

De acordo com a definição do Ministério da Saúde, cálculos renais são agregados minerais endurecidos que podem se formar nos rins ou nas vias urinárias, resultantes do acúmulo de cristais existentes na urina. O cálculo renal pode ser constituído de substâncias como cálcio, oxalato, fosfato ou ácido úrico.

Uma das principais causas para o problema é a baixa ingestão de água. Isso porque, quando o corpo produz pouca urina, as substâncias que formam cristais se concentram e se solidificam. Por isso, a incidência de pedras nos rins aumenta até 30% durante o verão, devido às altas temperaturas e à desidratação, como informa a pasta.

O excesso de sódio na dieta também pode ocasionar a formação dos cálculos, já que o consumo elevado de sal aumenta a excreção de cálcio na urina, a hipercalciúria. Além disso, o alto consumo de carnes vermelhas e embutidos elevam o ácido úrico, potencializando a formação de pedras.

Entre outros fatores que podem contribuir para a formação de cálculos renais estão, segundo o Ministério da Saúde, o histórico familiar e fatores genéticos; o sedentarismo, já que a falta de atividade física pode alterar o metabolismo do cálcio e impactar a saúde renal, somando-se ao fato de que a obesidade pode estar associada a alterações na acidez da urina, o que favorece a formação de cálculos de ácido úrico.

A doença gota, caracterizada pelo aumento de ácido úrico; o uso prolongado medicamentos como diuréticos, antibióticos ou antirretrovirais; infecções urinárias recorrentes; e distúrbios intestinais e cirurgia bariátrica, condições que podem afetar a absorção de nutrientes e podem levar à maior absorção de gordura, também podem ocasionar a formação das pedras nos rins. 

Sintomas de cálculo renal

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, entre os sintomas que merecem atenção estão dor intensa nas costas ou na lateral do abdomen que pode irradiar para outras área, náuseas, vômitos, aumento da frequência urinária acompanhado de dor ou ardência ao urinar, jato urinário fraco e alterações na cor e no odor da urina, o que pode incluir a presença de sangue.

Informações da Rede D’or São Luiz alertam para casos em que a dor se torna insuportável, há incapacidade total de urinar (obstrução), febres e calafrios. Os sintomas representam um quadro mais grave e, por isso, a orientação é buscar avaliação médica. 

Os sintomas causados pelo cálculo renal podem variar conforme o tamanho e a localização. O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, que verificam, inclusive, se há obstrução do trato urinário.

Como prevenir e tratar cálculos renais  

Diante desses fatores, a prevenção inclui hábitos como aumento da ingestão de água e de sucos naturais, preferencialmente os cítricos; redução do consumo de sal e proteínas animais; além de dieta equilibrada e prática de atividade física regularmente.

 

O tratamento depende do tamanho e da localização do cálculo, podendo variar desde o uso de medicamentos para aliviar a dor até procedimentos cirúrgicos, que são feitos pelo urologista. A cirurgia para retirada dos cálculos renais está entre as cirurgias que o cirurgião geral pode fazer, em casos de extrema urgência. 

Tipos de cirurgia 

De acordo com o nefrologista Sunil Prakash, se o cálculo renal for pequeno, pode ser eliminado pela urina. No entanto, em casos agudos, a cirurgia torna-se obrigatória. Entre os tipos de cirurgia estão:

1. Nefrolitotomia percutânea

A nefrolitotomia percutânea é um procedimento cirúrgico utilizado para remover cálculos renais grandes ou complexos. Este processo envolve uma pequena incisão nas costas do paciente e a introdução direta de instrumentos no rim.

 

Por meio desses dispositivos, os cálculos são fragmentados ou removidos completamente. Essa técnica permite a visualização e manipulação direta dos cálculos, aumentando a precisão e a eficácia da cirurgia.

2. Ureteroscopia

A ureteroscopia é um procedimento minimamente invasivo, que consiste na utilização do ureteroscópio, um instrumento fino e flexível inserida pela uretra e bexiga, a fim de alcançar o ureter ou o rim. Cálculos pequenos são capturados e removidos, enquanto cálculos maiores são fragmentados utilizando energia laser. Essa técnica permite que os médicos tratem os cálculos sem a necessidade de incisões.

3. Litotripsia por ondas de choque

A litotripsia por ondas de choque é um procedimento popular e não invasivo, que utiliza ondas de choque focalizadas para fragmentar os cálculos em pedaços menores, que podem ser eliminados mais facilmente pela urina, reduzindo a necessidade de intervenção cirúrgica. O procedimento pode precisar ser repetido para a remoção completa dos cálculos.

4. Cirurgia aberta

A cirurgia aberta para remoção de cálculos renais é menos comum e envolve uma incisão maior para acessar o rim ou o ureter e remover os cálculos diretamente. Embora raramente realizada devido ao seu caráter invasivo, a cirurgia aberta pode ser necessária para cálculos grandes ou complexos, e oferece uma solução definitiva para a remoção dos cálculos.

5. Cirurgia intrarrenal retrógrada 

Trata-se de um procedimento endoscópico minimamente invasivo, no qual um ureteroscópio flexível é inserido pela uretra para alcançar o rim. Um laser é então utilizado para fragmentar os cálculos em pequenos pedaços, facilitando sua remoção. É recomendada para cálculos difíceis de tratar com litotripsia extracorpórea por ondas de choque ou ureteroscopia.

Mitos acerca do cálculo renal

Devido ao fato de que algumas pedras renais são formadas por cálcio, acredita-se que um paciente com cálculo não pode ingerir leite e derivados. “Mas essa orientação carrega uma inverdade. Realmente, os pacientes com cálculo não devem se exceder na ingestão de leite e derivados, mas não devem se privar totalmente, pois, além de serem necessários para o metabolismo normal, em alguns cenários, a ingestão de cálcio previne a recorrência”, destaca o urologista Ernesto Reggio.

Outro mito é a orientação de que, durante a cólica renal, deve-se sempre ingerir muito líquido. A hidratação é um dos pontos mais importantes na prevenção da formação de cálculos. Entretanto, durante o episódio de obstrução aguda do ureter por cálculo, a hiper-hidratação ou uso de diuréticos é controversa.

“Muitos pacientes estão desidratados pelos vômitos. Alguns urologistas acreditam que a hidratação pode aumentar a velocidade de passagem de um cálculo pelo trato urinário, enquanto outros ressaltam que a hiper-hidratação causa aumento na pressão renal, exacerbando a dor”, explica o médico.

Segundo ele, a hidratação está indicada em pacientes com evidência clínica ou laboratorial de desidratação ou insuficiência renal. Náusea e vômitos, frequentemente associados à cólica renal, podem aumentar devido à distensão do estômago induzida pela alta ingestão de líquidos.

 

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