Geração Z rejeita carreira tradicional e impulsiona o avanço dos side hustles

Estudo da Randstad mostra que jovens profissionais priorizam autonomia, múltiplas experiências e novas formas de construir carreira

Por FABIANA SIQUEIRA
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Imagem de divulgação - Randstad

São Paulo, julho de 2026 – A ideia de construir uma carreira linear dentro de uma única empresa já não faz sentido para grande parte da Geração Z. Em vez de trajetórias previsíveis e de longo prazo, os jovens profissionais têm buscado modelos mais flexíveis, dinâmicos e alinhados aos seus interesses pessoais, movimento que ajuda a impulsionar o crescimento dos chamados side hustles, atividades paralelas que complementam renda, experiência ou propósito profissional. 

Dados do estudo Workmonitor 2026 e do estudo global da Randstad sobre Geração Z, lançado em 2025, mostram que essa geração valoriza cada vez mais autonomia, equilíbrio e desenvolvimento contínuo, enxergando o trabalho de forma menos rígida do que gerações anteriores. O estudo Geração Z revela, por exemplo, que apenas um terço dos jovens pretende permanecer na função atual pelos próximos meses e que o tempo médio de permanência da geração nos primeiros 5 anos de carreira é de apenas 1,1 ano. 

Mais do que uma renda extra, os side hustles representam uma nova lógica de carreira, em que profissionais combinam diferentes experiências, desenvolvem habilidades paralelas e ampliam possibilidades de crescimento fora dos modelos corporativos tradicionais. O movimento ganha força diante de um cenário econômico mais desafiador. Segundo o Workmonitor 2026, 40% dos profissionais afirmam ter assumido ou consideram assumir um segundo emprego para lidar com o aumento do custo de vida.

“A Geração Z tem uma relação diferente com o trabalho. Existe uma busca maior por autonomia, flexibilidade e liberdade para explorar diferentes interesses profissionais ao longo da trajetória”, afirma Wladimir Parada, diretor de Talent Solutions da Randstad Brasil.
 

Carreiras menos lineares e mais flexíveis

A mudança acompanha uma transformação mais ampla nas relações de trabalho. Ainda segundo o Workmonitor 2026, 72% dos empregadores acreditam que os modelos tradicionais de carreira estão ultrapassados e 38% dos profissionais afirmam não desejar uma trajetória linear, preferindo atuar em diferentes funções e setores ao longo da vida profissional. 

Entre os jovens, esse comportamento é ainda mais evidente. O estudo Geração Z mostra que essa é a geração mais propensa a considerar seus objetivos de carreira de longo prazo ao avaliar uma nova oportunidade de trabalho e também a mais propensa a deixar um emprego por falta de perspectivas de crescimento profissional.

O movimento também está ligado à busca por maior independência financeira e diversificação de renda, especialmente em um cenário econômico mais instável e marcado por rápidas transformações tecnológicas. 

Propósito, autonomia e desenvolvimento

Outro fator importante é a forma como a Geração Z enxerga crescimento profissional. Diferentemente de gerações anteriores, ascensão hierárquica já não é necessariamente o principal indicador de sucesso. 

Hoje, jovens profissionais valorizam a possibilidade de personalização da carreira, mesmo que isso signifique transitar entre diferentes funções, projetos ou formatos de trabalho ao longo da vida profissional. O estudo mostra ainda que 79% dos jovens acreditam ser capazes de aprender novas habilidades rapidamente, enquanto 68% afirmam se esforçar para ter um bom desempenho no emprego atual, mesmo quando buscam novas oportunidades. 

“A estabilidade deixou de estar associada apenas a permanecer muitos anos em uma mesma empresa. Para essa geração, segurança também significa desenvolver habilidades, ampliar possibilidades e manter capacidade de adaptação’, complementa Wladimir.

O avanço da mentalidade cria um desafio para as organizações de entender como atrair e reter talentos que não enxergam mais a carreira de forma linear. Nesse cenário, as empresas que compreenderam as novas expectativas da Geração Z tendem a se destacar em um mercado cada vez mais competitivo por talentos. 

 

Sobre a Randstad

Fundada em 1960, na Holanda, a Randstad é líder em recrutamento e soluções completas de recursos humanos, com presença consolidada em 39 países, onde emprega diariamente mais de 650 mil pessoas. Com quatro especializações, a Randstad atua como parceira dos talentos e atende empresas de todo o mundo em seus desafios de gestão de pessoas e em diferentes áreas de negócios. A companhia também impulsiona a carreira de milhares de profissionais por meio de suas oportunidades de trabalho. No Brasil, desde 2011, conta com mais de 1000 colaboradores, e já contratou mais de 250 mil pessoas em todas as regiões do país.


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