Trend não é estratégia: o erro de comunicação que mais derruba a autoridade médica nas redes
Para Elaine Rezende, CEO da VOX5 e PH5, o vício de seguir todas as tendências está esvaziando o discurso de profissionais da saúde. O caminho é outro: consistência, tom de voz e conexão com o público certo.
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Dancinhas, áudios virais, formatos importados de comediantes, recortes de filmes. A pressão por aparecer no feed transformou as redes sociais em um campo minado para médicos e médicas que tentam construir presença digital sem abrir mão da credibilidade. A pergunta que circula nos consultórios e nas reuniões de marketing da saúde é direta: todo médico precisa entrar em trend?
A resposta, segundo Elaine Rezende, CEO da VOX5 e da pH5, é não. E o erro de tratar tendência como obrigação está custando caro à autoridade de muitos profissionais.
“Mais importante do que seguir todas as tendências é construir uma comunicação que faça sentido com o seu tom de voz, sua especialidade e, principalmente, com o público que você quer alcançar”, afirma a executiva, que comanda duas operações dedicadas à comunicação estratégica em saúde no Brasil.
A leitura de Elaine se apoia em um princípio simples, mas frequentemente ignorado. Trend é linguagem, não estratégia. Quando um cardiologista replica um meme que nasceu no universo do humor adolescente, até pode gerar um alto engajamento. A pergunta é até que ponto esse conteúdo preserva a credibilidade de quem o publica. Usar o humor para educar e conscientizar é uma ferramenta excelente, e existem muitos médicos que constroem audiência sólida exatamente assim. Mas não funciona para todos. O público que esse cardiologista quer alcançar, pacientes em busca de informação confiável, colegas de profissão, formadores de opinião em saúde, não está ali pelo formato. Está ali pela substância.
Nem toda trend combina, e tudo bemA frase resume a filosofia que a VOX5 e a pH5 vêm aplicando junto a clientes da área médica. “Nem toda trend combina com você, e tudo bem. O que realmente gera conexão é consistência e autenticidade”, completa Elaine.
Na prática, isso significa que entrar em uma tendência só faz sentido quando ela conversa com três variáveis fundamentais: o tom de voz do profissional, a especialidade que ele representa e o perfil real de quem está do outro lado da tela. Sem esse alinhamento, o conteúdo vira performance, não posicionamento.
Especialistas em comunicação para o setor de saúde têm observado um padrão. Médicos que constroem audiência sólida não são os que aparecem em todas as ondas. São os que escolhem com critério onde investir presença, mantêm coerência de discurso ao longo dos meses e tratam cada postagem como extensão da própria conduta clínica.
O que substitui a corrida pela tendênciaPara Elaine, o caminho passa por uma mudança de mentalidade. Em vez de perguntar o que está “bombando” hoje, o profissional da saúde deveria perguntar o que precisa ser dito agora dentro da sua área e como dizer isso de um jeito que só ele diria. Esse é o território onde a autoridade se constrói.
A executiva reforça que consistência e autenticidade não são qualidades abstratas. São métricas observáveis no dia a dia: frequência editorial estável, posicionamentos claros sobre temas controversos da especialidade, linguagem reconhecível mesmo sem assinatura, recusa em surfar onda que não pertence ao universo do profissional.
Em um cenário de saturação de conteúdo, em que a próxima trend chega antes mesmo da anterior se consolidar, o ativo mais escasso talvez não seja o alcance. Seja a coerência.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): MARCELLA FERNANDES IZZO
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