O processo do luto: a importância de viver a dor para evitar o adoecimento
Em uma sociedade que exige superação rápida e felicidade constante, silenciar a tristeza de uma perda pode se transformar em sintomas físicos e crises de pânico, explica especialista
Eliane Alves | Psicóloga e especialista em ansiedade.
Perder alguém importante, encerrar um relacionamento ou enfrentar mudanças significativas na vida são experiências que costumam desencadear o luto. Embora seja uma reação natural diante das perdas, muitas pessoas ainda encontram dificuldades para lidar com a própria dor, especialmente em uma sociedade que valoriza a produtividade e cobra uma rápida retomada da rotina.
Segundo a psicóloga e especialista em ansiedade Eliane Alves, a tentativa de ignorar ou acelerar esse processo pode trazer consequências para a saúde emocional e física. O sofrimento que não encontra espaço para ser vivido tende a se manifestar de outras formas ao longo do tempo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que transtornos relacionados à ansiedade e à depressão estão entre os principais problemas de saúde mental no mundo. Embora nem todos os casos estejam ligados ao luto, especialistas alertam que emoções reprimidas podem contribuir para o agravamento de quadros psicológicos já existentes.
“O luto não é uma doença e nem um sinal de fraqueza. Ele é uma resposta natural do ser humano diante de uma perda significativa. Quando a pessoa tenta fingir que está bem o tempo todo ou evita entrar em contato com a própria dor, esse sofrimento pode acabar se manifestando de outras maneiras”, explica Eliane.
Entre os sinais mais comuns estão crises de ansiedade, ataques de pânico, alterações no sono, irritabilidade, cansaço excessivo, dificuldade de concentração e sintomas físicos sem causa aparente, como dores de cabeça, tensão muscular e desconfortos gastrointestinais.
Para a especialista, parte dessa dificuldade está relacionada à pressão social para seguir em frente rapidamente. Frases como “você precisa ser forte”, “já passou tempo suficiente” ou “a vida continua” podem fazer com que a pessoa se sinta culpada por ainda estar sofrendo.
“Cada luto é único. Não existe um prazo correto para superar uma perda. O que existe é a necessidade de acolher os sentimentos, respeitar o próprio tempo e compreender que tristeza, saudade e até momentos de revolta fazem parte desse processo”, afirma.
Eliane destaca que viver o luto não significa permanecer preso à dor, mas permitir que ela seja elaborada de forma saudável. Conversar sobre o que aconteceu, buscar apoio emocional e compartilhar sentimentos com pessoas de confiança podem contribuir para uma adaptação mais equilibrada à nova realidade.
Em alguns casos, o acompanhamento psicológico também se torna fundamental, principalmente quando o sofrimento começa a comprometer a rotina, os relacionamentos ou a capacidade de realizar atividades do dia a dia.
“Sentir dor diante de uma perda é humano. O problema não está em sofrer, mas em acreditar que é preciso esconder esse sofrimento. Quando damos espaço para viver o luto de forma saudável, criamos condições para que a recuperação aconteça de maneira mais leve e genuína”, conclui.
Fonte: Eliane Alves | Psicóloga e especialista em ansiedade.
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