Saúde mental no trabalho exige diagnóstico precoce para evitar afastamentos

Tecnologia, testes digitais e materiais didáticos e científicos podem ser importantes aliadas dos gestores

Por MARIAH FREITAS
5 Min

Banco de Imagem | Pixabay

O Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença em 2025, maior número dos últimos cinco anos, segundo dados exclusivos obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Previdência Social e divulgados em janeiro deste ano. Já os afastamentos do trabalho por transtornos mentais aumentaram cerca de 80% entre 2023 e 2025, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

Para Ricardo Mattos, CEO da Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics, referência em manutenção da saúde mental nas empresas, o diagnóstico precoce é um dos principais fatores para evitar o afastamento prolongado do trabalho, agindo diretamente na redução do absenteísmo e dos custos organizacionais. “Precisamos tratar a saúde mental como prioridade civilizatória, não como pauta periférica. Com ações simples, mas consistentes, as empresas podem transformar o ambiente corporativo em um espaço de apoio, prevenção e crescimento. A saúde mental deve ser vista como um investimento contínuo, que beneficia não apenas os colaboradores, mas também os resultados organizacionais. Vale lembrar que a NR-01 foi recentemente atualizada e agora exige que as empresas identifiquem e controlem fatores como estresse, burnout e assédio, além dos riscos físicos tradicionais, com implementação gradual e guias de orientação”, explica.

Ainda segundo o executivo, empresas de todos os portes podem criar iniciativas práticas e acessíveis para transformar o cuidado com a saúde mental em um pilar organizacional. Somado a isso, a tecnologia, testes digitais e materiais didáticos e científicos podem ser importantes aliadas dos gestores neste processo. Confira abaixo três ações que podem auxiliar as empresas na detecção precoce e promoção do bem-estar dos colaboradores:

1- Apoio psicológico

Ofereça programas de assistência emocional, como consultas com psicólogos, linhas de apoio ou acesso a ferramentas digitais especializadas. Programas de saúde mental bem desenhados estão associados a ganhos expressivos de desempenho, redução de faltas e maior presença no trabalho. Um mapeamento da Yale School of Medicine mostrou aumento de até 25% na produtividade dos colaboradores que participaram de programas de apoio mental.

Investir em terapia, aconselhamento e monitorar questões relacionadas à saúde mental por meio de instrumentos psicológicos, é fundamental para ter um ambiente saudável. Além disso, hoje existem testes psicológicos que podem ser utilizados para diversas finalidades, desde apoiar a identificação de doenças ocupacionais como o burnout a explorar características a serem desenvolvidas pelos profissionais. “Esses testes ajudam a construir uma gestão dos riscos psicossociais e podem promover a segurança e saúde emocional do trabalhador. Além disso, são soluções que também atuam na manutenção do clima organizacional”, explica.

2- Treinamento de lideranças

Capacite gestores para identificar sinais de desgaste emocional nas equipes e promover uma liderança mais humanizada. Outra dica importante é oferecer cursos de atualização, isso dará mais suporte para os profissionais das empresas que trabalham diretamente cuidando da saúde mental dos colaboradores. A Vetor Editora, por exemplo, oferece consultoria e treinamentos na área de Recursos Humanos, auxiliando companhias a avançarem nos cuidados com o bem-estar emocional dos profissionais, e conta com mais de 40 mil clientes, entre eles MRS Logística, Prevent Senior, Latam, Sodexo, Gerdau.

3- Iniciativas de bem-estar

Promover campanhas de conscientização sobre a importância de falar abertamente sobre saúde mental é fundamental. Também é importante criar espaços seguros, onde os colaboradores se sintam acolhidos, e incentivar iniciativas de bem-estar, como meditação, yoga, palestras e workshops voltados à gestão das emoções e à resiliência. Somado a isso, a realização de avaliações regulares permite identificar fatores de risco psicossociais e direcionar ações preventivas de forma mais eficaz. Algumas empresas já vêm incorporando esse tipo de prática à rotina corporativa. Na Vetor Editora, por exemplo, são oferecidas sessões de massagem duas vezes por semana para colaboradores em regime presencial, como parte das iniciativas voltadas ao bem-estar no ambiente de trabalho.


Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): MARIAH DE FREITAS
mariah@pinepr.com