Dia do Orgulho alerta para a urgência da escuta qualificada e da ampliação de consciência na inclusão corporativa de grupos minorizados no Brasil, aponta entidade global
Em um cenário onde profissionais lidam com barreiras invisíveis diárias, a International Coaching Federation Brasil (ICF) explica como abordagens focadas no autodesenvolvimento e na liderança impulsionam a cultura de pertencimento
Créditos: Magnific
São Paulo, 24 de junho de 2026 - O debate sobre a diversidade corporativa ganha força durante o Mês do Orgulho, que culmina neste domingo, 28, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+, mas a construção de ambientes de pertencimento seguro vai muito além do calendário e deve se estender a todos os grupos minorizados. Na prática, falhas na inclusão criam um ciclo de falta de segurança psicológica e estresse contínuo que afeta profundamente a saúde mental e desempenho dos talentos. Um estudo do Banco Mundial ilustra essa dura realidade ao revelar que de 40% a 70% das pessoas LGBTQIAP+ no Brasil escondem sua orientação sexual no ambiente de trabalho. Para reverter esse cenário e apoiar profissionais que enfrentam barreiras estruturais, as áreas de desenvolvimento humano e organizacional têm apostado no coaching profissional, uma metodologia de desenvolvimento voltada ao fortalecimento da autoconsciência, da liderança e da capacidade de atuação dos profissionais.
Pessoas pertencentes a grupos minorizados frequentemente lidam com uma carga emocional redobrada, fruto de pressões exclusivas e um histórico de desvalidação. Andréa Mazarem, vice-presidente do capítulo Brasil da International Coaching Federation (ICF), destaca essa realidade. “Além da pressão natural do mundo corporativo, profissionais de grupos minorizados frequentemente lidam com uma sobrecarga invisível. Enquanto muitos colegas podem concentrar sua energia em inovar, crescer e entregar resultados, essas pessoas ainda precisam dedicar parte significativa de seus esforços para provar que pertencem àquele espaço. Esse desgaste silencioso afeta a confiança, o bem-estar e pode limitar o pleno desenvolvimento de talentos que têm muito a contribuir para as organizações." Quando profissionais precisam direcionar energia para lidar com barreiras de pertencimento, as organizações também deixam de aproveitar plenamente seu potencial.
Diferente de abordagens que oferecem "receitas prontas" ou aconselhamento, o coaching atua diretamente no fortalecimento do indivíduo. Arthur Fonseca, diretor de responsabilidade social da ICF no Brasil, explica que o processo convida o cliente a investigar como essas experiências impactaram a construção de suas crenças limitantes. "A partir do momento em que o profissional encontra um espaço de escuta ativa e livre de julgamentos, ele consegue questionar essa sensação de desmerecimento e passa a assumir o protagonismo de suas decisões", detalha o especialista.
Da consciência individual ao desenvolvimento de lideranças mais inclusivas
O impacto dessa abordagem no desenvolvimento de talentos diversos é significativo. Um exemplo compartilhado por Fonseca envolve uma desenvolvedora de software atendida por ele no contexto corporativo. Embora almejasse uma posição de liderança, enfrentava forte insegurança ao se expor, expressar suas opiniões e lidar com críticas.
Ao receber um diagnóstico profissional e compreender-se no espectro autista, passou a enxergar com mais clareza sua forma de pensar, processar informações e se relacionar com o ambiente. Com o apoio do processo de coaching, desenvolveu estratégias para comunicar suas necessidades e potencialidades de maneira mais assertiva, além de substituir suposições e medos por análises baseadas em evidências.
“O coaching profissional e executivo não é terapia nem mentoria. Cada uma dessas abordagens possui objetivos, métodos e campos de atuação específicos. O papel do coach é apoiar o desenvolvimento do cliente por meio de metodologias estruturadas, promovendo reflexão, ampliação de consciência e ações voltadas ao alcance de seus objetivos", explica Andréa Mazarem.
Esse movimento fortaleceu a autoconfiança da desenvolvedora de software e ampliou sua capacidade de atuação, contribuindo para sua promoção à liderança.O caso também evidencia a importância de ambientes e líderes preparados para acolher diferentes formas de pensar, aprender e se comunicar, mesmo quando não há um diagnóstico formal conhecido pela própria pessoa ou pela organização. Afinal, a inclusão começa pela capacidade de reconhecer e valorizar a singularidade humana em suas múltiplas expressões.
Fonseca destaca ainda que o processo é uma ferramenta valiosa para profissionais que enfrentam barreiras estruturais, como pessoas com deficiência, muitas vezes preteridas em promoções e posições de alta qualificação. A metodologia permite que eles avaliem criticamente seu cenário e a cultura da empresa onde estão. Assim, tornam-se capazes de traçar planos de ação para pleitear o crescimento interno ou buscar recolocação em ambientes genuinamente inclusivos.
Além do desenvolvimento individual, o coaching também pode apoiar lideranças na reflexão sobre comportamentos, decisões e práticas que impactam a experiência das pessoas no ambiente de trabalho. Por meio de perguntas que estimulam reflexão e ampliam perspectivas, líderes passam a reconhecer situações que antes poderiam passar despercebidas, desenvolvendo maior capacidade para promover relações de respeito, segurança psicológica e pertencimento.
Para lidar com desafios corporativos cada vez mais complexos e sensíveis, as organizações têm buscado profissionais com formação consistente, experiência prática e compromisso ético. Para Andréa Mazarem, promover transformações sustentáveis em pessoas, lideranças e culturas organizacionais exige preparo técnico, maturidade profissional e desenvolvimento contínuo.
Nesse contexto, a ICF estabelece padrões globais de competência para seus coaches credenciados, que incluem formação específica, adesão a um rigoroso código de ética, supervisão profissional e comprovação de experiência prática que pode ultrapassar 2.500 horas de atuação. Esses critérios contribuem para oferecer às organizações processos de coaching conduzidos com responsabilidade, qualidade e segurança, especialmente em temas que envolvem desenvolvimento humano, diversidade, inclusão e transformação cultural.
Sobre a ICF
A ICF - International Coaching Federation - é a maior associação global de coaches, com 61 mil membros associados em mais de 169 países e territórios. Fundada em 1995, independente e sem fins lucrativos, a sua missão é contribuir para o avanço da arte, ciência e prática do Coaching profissional. A ICF é pioneira no desenvolvimento de padrões globais para o coaching profissional, com competências essenciais, um robusto Código de Ética e pesquisas de mercado - oferece o maior recurso mundial de pesquisas sobre Coaching, com mais de 2.500 estudos disponíveis. Além disso, a organização acredita programas de formação em coaching, garantindo altos padrões na profissão, e credencia coaches com o único programa de credenciamento independente, reconhecido mundialmente, concedido aos coaches profissionais que tenham cumprido com os rigorosos requisitos de educação e comprovada experiência.
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