Busca por bem-estar está transformando a forma de morar em Brasília, apontam arquitetos

Em evento promovido pela Mirante Incorporações, no último final de semana, especialistas discutiram habitação contemporânea, qualidade de vida e mudanças na forma de morar

Por QU4TRO COMUNICAÇÃO
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As transformações nos hábitos de vida da população estão redefinindo a forma como os imóveis são projetados e ocupados. É o que analisam os arquitetos Eduardo Sainz e Alan Chu, que debateram a temática em evento realizado pela Mirante Incorporações no último sábado (20/6), em Águas Claras - Distrito Federal.    O talk faz parte de um projeto da incorporadora chamado "A Arte de Habitar", que reúne especialistas para conversas abertas ao público que refletem sobre os impactos das mudanças sociais na arquitetura das cidades.   Conforme ressalta o arquiteto e investidor imobiliário Eduardo Sainz, nos últimos anos a casa deixou de ser apenas o lugar para onde voltamos no fim do dia e passou a concentrar uma parte muito maior da vida. "Hoje, ela precisa acomodar trabalho, descanso, convivência, lazer e, muitas vezes, diferentes rotinas acontecendo ao mesmo tempo. Isso aumentou a valorização de ambientes mais flexíveis, bem iluminados, ventilados e capazes de se adaptar às mudanças da família. Também percebemos uma busca maior por privacidade, conforto acústico, contato com áreas externas e espaços que transmitam calma. As pessoas estão mais conscientes de que a qualidade da arquitetura interfere diretamente na maneira como vivem, trabalham e se relacionam dentro de casa", analisa.
d62a5c_Screenshot_20260624_164551_Gallery.jpg   Experiência cotidiana   Mestre em Tecnologia, Administração e Gerência da Construção, Sainz reúne experiência em arquitetura, construção e desenvolvimento imobiliário, atuando em projetos reconhecidos nacional e internacionalmente. De acordo com ele, a arquitetura contemporânea está se tornando menos baseada em imagens e mais orientada pela experiência cotidiana.  
"Não basta que um espaço seja bonito; ele precisa funcionar bem, envelhecer com qualidade e contribuir para o bem-estar de quem o utiliza. Questões como iluminação natural, ventilação cruzada, conforto térmico, acústica, ergonomia e conexão com a paisagem passaram a ocupar um lugar central no projeto. Ao mesmo tempo, os novos hábitos exigem ambientes menos rígidos. Um escritório pode se transformar em quarto, uma varanda pode funcionar como extensão da sala e os espaços de convivência precisam permitir tanto a integração quanto o recolhimento. A boa arquitetura nasce justamente desse equilíbrio entre comportamento, funcionalidade, conforto e identidade", diz.
  Tendências   Para o arquiteto, a tendência é que vejamos empreendimentos mais atentos à qualidade real dos espaços e menos dependentes de soluções puramente comerciais. "Plantas flexíveis, ambientes multiuso, melhor desempenho térmico e acústico, áreas verdes qualificadas e espaços coletivos mais bem planejados terão cada vez mais importância. A sustentabilidade também tende a deixar de ser um diferencial de marketing para se tornar uma premissa de projeto. Isso inclui eficiência energética, gestão da água, escolha de materiais duráveis, menor necessidade de manutenção e soluções passivas adequadas ao clima de cada região."
33411b_Screenshot_20260624_164558_Gallery.jpg Eduardo Sainz no evento da Mirante
    Outro movimento importante será a criação de empreendimentos capazes de atender diferentes momentos da vida. Imóveis que possam ser adaptados ao crescimento da família, ao trabalho remoto, ao envelhecimento dos moradores e às mudanças de uso terão maior longevidade e valor.  
"A arquitetura contribui para cidades mais humanas quando deixa de olhar apenas para o edifício isolado e passa a compreender sua relação com a rua, com a vizinhança e com o espaço público. Edifícios com térreos ativos, fachadas que dialogam com o entorno, calçadas confortáveis, acessos seguros, arborização e diversidade de usos ajudam a criar bairros mais vivos e acolhedores. A qualidade urbana está muito ligada à escala do pedestre e à possibilidade de as pessoas caminharem, permanecerem e se encontrarem com segurança. Também é necessário projetar com maior sensibilidade às diferenças. Uma cidade mais humana precisa ser acessível, inclusiva e capaz de atender crianças, idosos e pessoas com diferentes condições de mobilidade. A arquitetura tem um papel fundamental na construção dessa experiência cotidiana.
  Eduardo Sainz finaliza pontuando que elementos ligados ao bem-estar já deixaram de ser complementares e passaram a fazer parte da essência dos projetos. "Espaços de convivência bem desenhados fortalecem relações, criam senso de comunidade e ampliam a experiência de morar para além dos limites da unidade residencial. Da mesma forma, o contato com a natureza tem um impacto direto na percepção de conforto e bem-estar. Luz natural, ventilação, vegetação, vistas, sombras e presença da água ajudam a criar ambientes mais agradáveis e equilibrados. No entanto, não basta inserir jardins ou áreas comuns como elementos decorativos. É preciso que esses espaços estejam integrados à rotina dos moradores, sejam acessíveis, confortáveis e tenham uma função real. Quando natureza, convivência e arquitetura são pensadas em conjunto, o resultado são empreendimentos mais desejáveis, mais duráveis e mais conectados às necessidades das pessoas", conclui.

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