Seguro sem complicação: coberturas, sinistros e operação

Elizeu Barroso Alves*

Por JULIA ESTEVAM
3 Min

Rodrigo Leal

O mercado de seguros deixou de ser apenas um mecanismo burocrático para se tornar uma ferramenta estratégica de proteção patrimonial, financeira e social. Logo, em um cenário marcado por instabilidades econômicas, eventos climáticos extremos e aumento da percepção de risco, compreender como funcionam as coberturas, os sinistros e a operação das seguradoras tornou-se indispensável para consumidores e empresas.

No Brasil, o setor segurador vive um momento de expansão, onde dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apontam que o mercado arrecadou aproximadamente R$ 764,5 bilhões em 2025, crescimento de 1,8% em relação ao ano anterior. Além disso, foram pagos cerca de R$ 548,4 bilhões em indenizações, benefícios e resgates, evidenciando o papel econômico e social do seguro como instrumento de estabilidade e recuperação financeira.

Entretanto, apesar do crescimento, ainda há grande desconhecimento da população sobre conceitos básicos do setor e muitas pessoas contratam seguros sem compreender exatamente o alcance das coberturas, as exclusões contratuais e os procedimentos relacionados ao sinistro. Esse desconhecimento gera frustração e conflitos no momento em que o segurado mais necessita da proteção contratada.

O sinistro, por exemplo, nada mais é do que a ocorrência do evento previsto na apólice — como colisões, incêndios, roubos ou danos diversos, e o problema é que muitos consumidores apenas descobrem as limitações da cobertura quando precisam acionar a seguradora. Por isso, transparência contratual e educação securitária devem ser prioridades das empresas do setor.

Outro ponto pouco compreendido pela sociedade é a importância da operação das sucursais e centrais de atendimento das seguradoras, visto que são essas estruturas que realizam análises técnicas, atendimento aos segurados, regulação de sinistros, suporte documental e relacionamento com corretores. Em outras palavras, a eficiência operacional influencia diretamente a experiência do cliente e a credibilidade da seguradora.

O avanço tecnológico, que tem transformado o setor com ferramentas digitais, inteligência artificial e análise de dados, vêm reduzindo fraudes, acelerando processos e tornando o atendimento mais ágil. Ainda assim, tecnologia sem humanização não resolve o principal desafio do mercado: construir confiança.

O seguro, em sua essência, não vende apenas apólices: vende tranquilidade. E tranquilidade depende de clareza, ética e eficiência. Simplificar a linguagem, aproximar o cliente das informações e tornar os processos mais transparentes são caminhos fundamentais para fortalecer a cultura do seguro no Brasil.

 

*Elizeu Barroso Alves é doutor em Administração e coordenador de Curso no Centro Universitário Internacional Uninter.

 


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