Pesquisadores da Unifesp participam de relatório global da ONU que alerta para agravamento da saúde dos oceanos

Lançado no Dia Mundial do Oceano, o III World Ocean Assessment reuniu cientistas de 86 países

Por AIS. COMUNICAçãO E ESTRATéGIA
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Divulgação UNIFESP

A Organização das Nações Unidas lançou oficialmente o III World Ocean Assessment (WOA III), principal avaliação integrada sobre o estado do oceano global. Divulgado no Dia Mundial do Oceano, celebrado em 8 de junho, o documento reúne evidências científicas sobre mudanças ambientais, climáticas, sociais e econômicas relacionadas ao oceano e aponta a piora de indicadores críticos desde a última edição, publicada em 2022.
Produzido no âmbito do Processo Regular da ONU para Avaliação Global do Estado do Ambiente Marinho, o relatório contou com a participação de cientistas e especialistas de 86 países. A Universidade Federal de São Paulo teve atuação expressiva por meio do Instituto do Mar (IMar/Unifesp) e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar (PPG-ICTMar).
O Brasil foi o terceiro país com maior número de pesquisadores participantes, com 40 autores. Entre as instituições brasileiras, o IMar/Unifesp teve a segunda maior participação, reunindo seis pesquisadores no documento. Dois dos cinco capítulos coordenados por brasileiros tiveram liderança de docentes da Unifesp, reforçando o protagonismo da universidade na produção de conhecimento científico voltado à tomada de decisão internacional.
A professora Leandra R. Gonçalves coordenou o capítulo sobre Gênero, que analisa desigualdades no acesso de mulheres às atividades oceânicas, à ciência marinha e aos espaços de governança. Já o professor Ronaldo Christofoletti coordenou o capítulo sobre habitats costeiros, com foco em praias arenosas e lamosas, costões rochosos e recifes biogênicos, avaliando os efeitos do aquecimento global, da urbanização costeira e da poluição sobre esses ecossistemas.
“O oceano é o principal amortecedor da crise climática, mas os sinais de estresse estão se tornando cada vez mais evidentes, prejudicando sua atuação na regulação climática”, afirma Christofoletti. “O que vemos no novo relatório é que fenômenos antes considerados excepcionais estão se tornando recorrentes, inclusive com impactos potenciais para o litoral brasileiro, para a pesca, para os recifes de coral e para as populações costeiras.”
Entre os alertas do WOA III estão o aumento da frequência das ondas de calor marinhas, que aproximadamente dobrou desde os anos 1980, e a elevação do nível médio global do mar, que chegou a 4,3 milímetros por ano entre 2013 e 2023. O documento também aponta crescimento expressivo dos impactos da poluição plástica: o número de espécies afetadas passou de cerca de 1.400 para 4.076 desde a avaliação anterior.
Na pesca, o relatório mostra queda no percentual de estoques pesqueiros biologicamente sustentáveis, de aproximadamente 64,6% em 2019 para 62,3% em 2021. Para o Brasil, os dados têm impacto direto, considerando a extensão do litoral, a importância da pesca artesanal, a vulnerabilidade de cidades costeiras e a relação do oceano com clima, alimentação, transporte, turismo, energia e biodiversidade.
“O oceano não pode ser tratado apenas como um recurso isolado. Ele está conectado à segurança alimentar, à economia, à saúde, à cultura, à biodiversidade e à estabilidade climática. Quando seus indicadores pioram, os impactos se espalham por toda a sociedade”, destaca Christofoletti.
O WOA III também inclui, pela primeira vez, uma seção dedicada à governança oceânica global, reforçando que enfrentar desafios como aquecimento do oceano, poluição, perda de biodiversidade, mineração submarina, pesca e adaptação climática exigirá articulação entre governos, ciência, setor privado, organismos multilaterais e comunidades costeiras.
Além dos riscos, o relatório aponta o potencial do oceano para uma nova economia sustentável, com avanços em áreas como biotecnologia marinha, novos medicamentos, alimentação, energia, inovação e soluções baseadas na natureza.
O lançamento ocorre em momento estratégico para o Brasil. Em abril de 2027, o Rio de Janeiro sediará a 3ª Conferência Internacional da Década da Ciência Oceânica da ONU, principal encontro global da Década do Oceano. O WOA III deverá servir como uma das principais bases científicas para as discussões e decisões do evento.
O relatório completo pode ser acessado no site https://www.un.org/regularprocess/woa3.  

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