Meraki registra queda de 90% nas demandas por diversidade para o Mês do Orgulho

Hub especializado em gestão de talentos alerta para a diminuição das oportunidades voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ no audiovisual

Por LILIAN DA CRUZ | MAVERICK 360 | LILIAN@MAVERICK360.COM.BR
6 Min

Foto ilustrativa: Envato

Dados da Oxford Economics mostram que o audiovisual movimentou cerca de R$ 70,2 bilhões e gerou mais de 608 mil empregos no Brasil em 2024. Apesar desse crescimento, o setor ainda enfrenta desafios quando o assunto é representatividade. A avaliação é da Meraki, hub especializado em gestão de talentos e direção de elenco, que registrou uma redução de aproximadamente 90% na procura por castings voltados à diversidade durante o período do Mês do Orgulho em comparação aos anos anteriores.

A percepção da empresa é baseada na própria atuação junto ao mercado publicitário e audiovisual. Segundo a Meraki, campanhas voltadas à diversidade tornaram-se significativamente menos frequentes nos últimos anos, mesmo em um momento tradicionalmente associado a discussões sobre inclusão e representatividade.

Segundo Danilo Rowlin, fundador da Meraki, existe hoje um contraste entre o crescimento econômico do setor e a efetiva ampliação de trabalhos para grupos historicamente excluídos desses espaços. “Nos últimos anos, a indústria enfraqueceu muito quando falamos sobre diversidade de gênero e de corpos. Embora vejamos alguns artistas ocupando esses espaços, ainda estamos longe do mínimo aceitável para que possamos falar em representatividade real. Muitos desses projetos continuam sendo negados a pessoas que historicamente foram excluídas desses ambientes”, afirma.

Para o fundador da Meraki, campanhas voltadas à pluralidade, que eram frequentes há alguns anos, tornaram-se cada vez mais raras, justamente em um período que costuma concentrar debates sobre diversidade e inclusão.

“Recebemos cerca de 90% menos demandas relacionadas à inclusão em comparação aos anos anteriores. Isso demonstra que ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Nossa luta não é para que pessoas LGBTQIAPN+ trabalhem apenas em campanhas de junho, como acontecia com mais frequência em outros momentos. Mas também não queremos que essas iniciativas deixem de existir. As contas chegam o ano inteiro. O que buscamos é ampliar as oportunidades para todos os tipos de corpos, identidades e trajetórias, independentemente da época do ano”, explica.

Para Jacqueline Rowlin, cofundadora da Meraki, a discussão sobre diversidade precisa ultrapassar o campo do discurso e se transformar em espaço concreto de inserção profissional. “A representatividade não acontece sozinha. Ela depende de pessoas e empresas dispostas a abrir espaço, criar conexões e apresentar novos talentos ao mercado. Existem profissionais qualificados esperando por oportunidades que muitas vezes nunca chegam”, destaca.

O compromisso da Meraki com a ampliação da representatividade também se reflete no projeto TransFree, criado de forma pioneira há mais de um ano com o objetivo de ampliar a inserção de pessoas que não se identificam com o sexo biológico ao qual foram designados ao nascer. A proposta do projeto é apresentar esses profissionais a partir de suas habilidades artísticas, experiências e potencial criativo, e não exclusivamente por narrativas relacionadas à identidade de gênero. Desde sua criação, o projeto já acumula resultados expressivos, incluindo participações em projetos publicitários, longas-metragens nacionais, videoclipes nacionais e internacionais, além de uma série nacional produzida para uma plataforma internacional de streaming.

O projeto reforça esse olhar para toda a comunidade LGBTQIAPN+, ampliando a discussão sobre acesso a oportunidades e representatividade no setor audiovisual e fortalecendo o compromisso da empresa com a construção de caminhos de acesso ao mercado para diferentes perfis e trajetórias. Segundo Danilo, a responsabilidade por ampliar a pluralidade no audiovisual também passa por quem seleciona. “Se a invisibilidade começa em quem apresenta esses profissionais ao mercado, estaremos fadados a repetir as mesmas contratações de sempre. O papel da direção de elenco é mostrar a qualificação dessas pessoas para que elas possam ser avaliadas pelo seu talento, e não por uma régua limitada de gênero, raça ou orientação sexual”, afirma.

Para a Meraki, o desafio agora não é apenas ampliar a presença de pessoas LGBTQIAPN+ em campanhas ligadas ao Mês do Orgulho, mas garantir que essas oportunidades existam ao longo de todo o ano, acompanhando o crescimento de uma indústria cada vez mais relevante para a economia brasileira.

Sobre a Meraki
A Meraki é um hub de produção audiovisual que nasceu para impulsionar a pluralidade, inovação e representatividade no mercado. Fundada há quase dez anos pelos irmãos Danilo e Jacqueline Rowlin, a empresa consolidou sua identidade com um modelo de trabalho horizontal, criativo e acolhedor, atendendo desde grandes marcas até produções independentes. Atualmente, possui três frentes de atuação: agenciamento artístico, produção e direção de elenco e produção geral, reunindo em uma mesma estrutura talentos, equipes e criação. O nome Meraki vem do grego e carrega o propósito de fazer algo “com alma, criatividade e amor”. A empresa mantém o lema de produzir, realizar e humanizar, fortalecendo narrativas plurais. Entre seus compromissos centrais, estão a inclusão, o apoio a profissionais da periferia e pessoas trans, além do combate a qualquer tipo de preconceito.


Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): LILIAN DA CRUZ
lilian@maverick360.com.br

FONTE: Foto ilustrativa: Envato