Alerta no hálito: o efeito colateral desconfortável que atinge quem usa remédios para emagrecer e esquece de beber água
Redução drástica na ingestão de líquidos e longos períodos de jejum induzidos por emagrecedores modernos provocam o hálito de cetose; especialista ensina como proteger a saúde bucal e estomacal sem atrapalhar o tratamento.
Dr Lailson Ambrósio - Médico Nutrólogo
A corrida pelos novos medicamentos emagrecedores mudou os consultórios e a balança de muita gente, mas trouxe a reboque um efeito colateral que quase ninguém prevê e que causa um baita constrangimento social, o mau hálito persistente. A queixa tem sido recorrente e a culpa não é da escova de dentes. O que acontece é que esses fármacos tiram tanto o apetite que as pessoas simplesmente esquecem de comer e, principalmente, de beber água. Esse cenário cria a tempestade perfeita para o chamado hálito de cetose.
Quando o corpo passa por longos períodos de jejum induzidos pelo remédio, ele esgota o estoque de carboidratos e começa a queimar gordura de forma acelerada para gerar energia. Esse processo químico libera substâncias chamadas corpos cetônicos, que saem pelos pulmões e deixam um odor pesado na respiração, muitas vezes parecido com o de fruta passada. A situação piora drasticamente porque, sem a ingestão de líquidos, o organismo não dá conta de limpar o ambiente.
"O jejum prolongado associado à baixa ingestão de líquidos reduz de forma severa a produção de saliva, que é o nosso principal mecanismo natural de limpeza da boca", explica Lailson Ambrósio, médico nutrólogo. O especialista esclarece que, sem esse fluxo constante, as bactérias se proliferam mais rápido, gerando o mau odor e até inflamações na gengiva.
Além do incômodo nas conversas de trabalho ou no dia a dia, essa falta de água cobra um preço alto do sistema digestivo e dos rins. Como essas medicações já deixam a digestão naturalmente mais lenta, a ausência de líquidos agrava quadros de azia e refluxo gastroesofágico que também jogam o odor do estômago para cima. Segundo o profissional, a saída não é interromper o tratamento, mas recalibrar a rotina.
"É fundamental encarar a água como parte do tratamento, estabelecendo metas de consumo volumétrico mesmo sem sentir sede, já que o sinal biológico de alerta do corpo fica camuflado pelo remédio", orienta Ambrósio. Ele sugere fracionar pequenas porções nutritivas ao longo do dia para o estômago não ficar totalmente vazio, o que quebra o ciclo da cetose extrema sem atrapalhar a perda de peso.
Pequenos ajustes na rotina fazem toda a diferença para o bem-estar e para a saúde bucal. Usar raspadores de língua e colocar no prato alimentos que exigem mais mastigação, como maçã e pepino, ajudam a estimular a salivação. Unir a tecnologia dos emagrecedores a uma hidratação rigorosa e ao acompanhamento médico garante que o processo de emagrecimento seja saudável por inteiro, de dentro para fora.
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Fonte: Dr Lailson Ambrósio - Médico Nutrólogo
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