Projeto transforma estudantes da rede pública em autores e já resultou em 11 livros publicados em Goiás 

Iniciativa do Colégio Estadual em Período Integral Professor Pedro Gomes, em Goiânia, incentiva escrita e projeto de vida no contexto do Ensino Médio Integral 

Por AMOTARA AGêNCIA DE NOTíCIAS
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créditos: Divulgação

No Colégio Estadual em Período Integral (CEPI) Professor Pedro Gomes, em Goiânia, estudantes da rede pública têm transformado experiências pessoais, memórias da infância e reflexões sobre o futuro em livros publicados pela própria escola. A iniciativa faz parte do Projeto Jovens Escritores, desenvolvido no contexto da proposta de ensino do Ensino Médio Integral, e já resultou na publicação de 11 obras produzidas por alunos ao longo dos últimos anos. 

O projeto mobiliza estudantes do primeiro ano do Ensino Médio e propõe um processo coletivo de criação literária que envolve leitura, escrita, revisões e debates sobre temas presentes no cotidiano dos jovens. Ao final de cada ciclo, os textos produzidos pelos alunos são reunidos em um livro que passa a integrar o acervo da escola. A proposta nasceu dentro das aulas de Língua Portuguesa e se consolidou como uma das iniciativas pedagógicas que conectam o aprendizado escolar às vivências dos estudantes. 

Segundo a professora Fabiana Aguiar Rodrigues Oliveira, responsável pelo projeto, o trabalho busca estimular os jovens a escrever a partir de suas próprias histórias e percepções sobre o mundo. “O objetivo é fazer com que os estudantes se reconheçam como autores e percebam que suas experiências também podem se transformar em literatura”, explica. 

O processo de produção dos livros começa com atividades voltadas à memória e à construção de repertório. Em uma das dinâmicas realizadas na escola, chamada de “chá de memórias”, os estudantes levam objetos significativos de suas vidas e compartilham as histórias relacionadas a eles. A partir dessas lembranças, surgem os primeiros textos. Foi nesse contexto que estudantes como Amandha Rodrigues, Laura Maíse e Júlio Viana desenvolveram suas produções literárias. 

Amandha decidiu escrever sobre momentos marcantes de sua infância, incluindo a relação com uma cachorrinha que a acompanhou por mais de uma década. Para ela, o projeto foi uma oportunidade de transformar sentimentos guardados em palavras. “Agora eu vou conseguir colocar em palavras todos os sentimentos que eu estava guardando por muito tempo”, conta.  

Laura optou pela poesia para expressar as inquietações que surgem no final do Ensino Médio, quando os jovens começam a refletir sobre escolhas profissionais e caminhos para o futuro. “Meu ensino médio agora acaba. E o que eu fiz? O que eu vou fazer?”, resume em um dos versos produzidos durante o projeto. Já Júlio decidiu escrever a partir de lembranças da infância e de sua paixão por automobilismo, conectando a narrativa a referências do território onde vive. 

Processo envolve estudo, revisão e trabalho coletivo 

A construção dos livros acontece ao longo de todo o ano letivo. Os estudantes estudam diferentes gêneros textuais, escrevem várias versões dos textos e participam do processo de revisão e seleção das obras que irão compor o livro final. A professora explica que o trabalho também envolve escolhas coletivas, como a definição do título da obra e da capa do livro. Esse processo permite que os alunos compreendam etapas importantes da produção editorial e acompanhem o caminho que vai da escrita à publicação. 

Durante o percurso, aulas de Estudo Orientado ajudam os alunos a revisar os textos e organizar as ideias dentro da rotina da escola em tempo integral. Segundo Fabiana, essa dinâmica dialoga diretamente com diferentes componentes do Ensino Médio Integral, como o Projeto de Vida, o Estudo Orientado e as atividades de produção textual desenvolvidas nas aulas de Língua Portuguesa. 

O momento em que os estudantes recebem o livro impresso costuma ser um dos mais marcantes do projeto. Ao ver seus textos publicados, os jovens passam a se reconhecer como autores e percebem que suas histórias agora fazem parte da memória da escola. Para Amandha, esse reconhecimento tem um significado especial. “Você é reconhecido, você é o protagonista da sua própria história”, afirma. Laura também destaca o sentimento de pertencimento gerado pela experiência. “Tem meu nome lá no livro. Esse livro vai ficar por vários e vários anos dentro da escola”, diz. 

Segundo a professora, além de estimular a leitura e a escrita, o projeto fortalece a autoestima dos estudantes e amplia sua capacidade de expressão. Ao compartilhar histórias pessoais, os jovens também desenvolvem empatia e aprendem a compreender diferentes realidades. 

Escrita amplia perspectivas de futuro 

Para muitos alunos, a experiência também provoca reflexões sobre o futuro. Júlio conta que, antes de participar do projeto, pensava apenas em entrar diretamente no mercado de trabalho após o Ensino Médio. Ao longo das atividades, passou a considerar a possibilidade de continuar estudando. “Você vai criando sonhos novamente e colocando expectativa acerca de futuro”, afirma. 

Essa conexão entre expressão, reflexão e planejamento de vida é um dos objetivos do projeto. Ao escrever sobre suas próprias experiências, os estudantes passam a olhar para o passado, compreender o presente e imaginar novas possibilidades para o futuro. Ao final de cada edição, a escola realiza um evento de lançamento do livro, reunindo estudantes, professores e convidados. Em uma das edições, os alunos chegaram a apresentar o projeto a autoridades da educação estadual, ampliando a visibilidade da iniciativa. 

Para a professora Fabiana, o impacto do projeto vai além da publicação dos livros. “Quando o estudante percebe que aquilo que escreveu pode ser lido por outras pessoas, ele entende que sua voz tem valor”, afirma. 

 

Sobre o Ensino Médio Integral  

O Ensino Médio Integral é uma proposta nacional de ensino público que amplia a jornada escolar para oferecer uma experiência educacional mais completa, ao combinar aprendizagem, orientações e experiências que apoiam os estudantes em suas escolhas e ampliam caminhos para o futuro, carreira e oportunidades. Ao promover o desenvolvimento dos jovens e a construção de trajetórias, a escola integral contribui para ampliar perspectivas e reduzir desigualdades. Atualmente, está presente em mais de 7,5 mil escolas em todo o país e reúne cerca de 1,6 milhão de matrículas, de acordo com o Censo Escolar. 


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