"Meu filho não quer estudar": Teatro educativo vira aliado de mães no combate à resistência escolar e à exaustão doméstica
Experiências artísticas no ambiente escolar tem reduzido o conflito em casa sobre o dever de casa e despertam o protagonismo do aluno, aliviando a pressão sobre as famílias que lutam contra o desinteresse dos filhos.
Rose Gomes
Segundo dados do UNICEF e do Cenpec, milhões de estudantes brasileiros ainda apresentam dificuldades de aprendizagem e desengajamento escolar no cenário pós-pandemia, enquanto famílias convivem diariamente com conflitos ligados à rotina de estudos dentro de casa. Frases como “meu filho não quer estudar” passaram a fazer parte da realidade de muitos pais que enfrentam resistência às tarefas escolares, excesso de tempo de tela e desgaste emocional na tentativa de manter os filhos interessados no aprendizado.
Nesse contexto, experiências artísticas dentro das escolas têm ganhado espaço como estratégia para aproximar crianças e adolescentes do aprendizado de forma mais humanizada. O teatro educativo, vem sendo utilizado como ferramenta pedagógica capaz de despertar interesse, fortalecer vínculos com o conteúdo escolar e reduzir a pressão cotidiana sobre as famílias.
Ao transformar conteúdos pedagógicos em experiências lúdicas, visuais e interativas, o teatro contribui para que os estudantes participem do processo de aprendizagem de maneira mais ativa. Em vez de enxergar o estudo apenas como obrigação, muitas crianças passam a estabelecer uma relação mais participativa com os estudos.
A mudança, segundo educadores, não acontece apenas dentro da sala de aula. Quando o aluno se sente mais conectado ao ambiente escolar e mais seguro em relação à própria aprendizagem, os reflexos aparecem também na rotina familiar. O desgaste diário envolvendo dever de casa, cobranças constantes e desinteresse tende a diminuir, reduzindo conflitos que hoje fazem parte da realidade de muitas famílias.
Para a idealizadora da proposta, Rose Gomes, o teatro funciona como uma ponte entre o conteúdo escolar e o universo emocional do aluno. Segundo ela, crianças e adolescentes aprendem melhor quando conseguem enxergar dentro da experiência educativa.
“Muitas vezes o estudante não rejeita o aprendizado, ele rejeita a forma como esse aprendizado chega até ele. Quando o conteúdo ganha emoção, movimento, humor e participação, o aluno deixa de ocupar uma posição passiva e passa a se sentir parte da construção do conhecimento”, afirma.
A especialista destaca que o modelo tradicional de ensino enfrenta dificuldades crescentes para competir com estímulos rápidos e constantes do ambiente digital. Por isso, experiências que envolvem criatividade, interação e pertencimento tendem a gerar maior engajamento.
“O teatro cria memória afetiva sobre o aprendizado. Isso muda a forma como o estudante se relaciona com a escola, com os professores e até com a própria autoestima. Muitas famílias relatam que os filhos passam a demonstrar mais interesse pelos estudos depois dessas vivências”, explica.
Além do desenvolvimento pedagógico, iniciativas artísticas também vêm sendo associadas ao fortalecimento de habilidades socioemocionais, como comunicação, empatia, expressão oral e autonomia. Em um cenário marcado pelo aumento da ansiedade infantil e pelo esgotamento familiar, escolas têm buscado metodologias capazes de unir aprendizagem e bem-estar emocional.
Criada em Belo Horizonte, a Ensino em Cena desenvolve espetáculos e projetos pedagógicos que utilizam o teatro como ferramenta educacional para diferentes faixas etárias. As apresentações abordam desde alfabetização e leitura até conteúdos de língua portuguesa, gramática, interpretação textual e desenvolvimento socioemocional, sempre por meio de experiências artísticas interativas.
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Fonte: Rose Gomes | Professora de Língua Portuguesa, Redação e Literatura | Fundadora do Teatro Educativo, Ensino em Cena
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